Eu vejo. Vejo com clareza o lampejo de dor que atravessa os olhos dele, uma rachadura tão rápida que alguém distraído talvez nem notasse, mas eu noto, porque ouvi minha própria frase ecoar no corredor, crua, pesada, acertando bem onde dói. Só que, tão rápido quanto aparece, aquela dor desaparece, engolida por algo mais frio; o olhar dele se fecha, se endurece, vira gelo e lâmina ao mesmo tempo, e quando ele volta a falar já não tem nada vulnerável ali.
“O que você acha de mim não importa”, ele