Lavínia se debateu desesperadamente.
Mordeu a mão que tapava sua boca e conseguiu gritar, mas a chuva abafou o pedido de socorro.
O homem imobilizou ela, enfiou uma toalha em sua boca e prendeu seu corpo com uma corda.
Depois começou a rasgar suas roupas.
Perto dele, ao alcance da mão, havia uma faca, um machado e outras ferramentas.
A chuva batia no rosto de Lavínia e quase impedia que abrisse os olhos.
Ela mal conseguia distinguir a expressão feroz do homem à sua frente.
O desespero tomou conta.
Sabia que seria violentada e depois morta.
Mas não podia aceitar aquilo. Tinha acabado de decidir pelo fim daquele casamento fracassado. Estava prestes a começar uma vida nova.
Não podia morrer assim.
Lavínia voltou a se debater com todas as forças.
O homem segurou ela e começou a desferir tapas e socos violentos, um atrás do outro.
Com sangue escorrendo pelo canto da boca, ela viu, desesperada, enquanto ele tirava as calças...
Um tiro soou ao longe.
O homem parou por um instante. Em seguida, seu olhar ficou ainda mais cruel.
Ele agarrou o machado e ergueu a lâmina na direção da cabeça de Lavínia...
Outro disparo.
O machado caiu junto à orelha dela.
Um grupo de policiais correu até ali, com Pietro à frente, e dominou o homem.
Pietro tirou o casaco, cobriu Lavínia e pegou ela no colo.
Abraçou Lavínia com força. Ela ainda estava apavorada.
— Acabou. Desculpa. Eu cheguei tarde...
A toalha foi tirada da boca de Lavínia.
Ela se apoiou no peito dele, tentando recuperar o fôlego.
Não conseguiu mais segurar o choro. Agarrou a gola da roupa dele e começou a soluçar alto.
Quando viu o homem ser levado, firmemente amarrado, a tensão cedeu.
Ela perdeu a consciência.
Lavínia acordou no hospital.
Ficou olhando fixamente para a luz no teto, revivendo o pesadelo da noite anterior.
Estava prestes a se levantar quando ouviu a voz de Débora do lado de fora:
— Pietro, sua ideia deu certo mesmo! Foi só Lavínia vestir aquele vestido vermelho que o assassino em série apareceu! Agora ele não vai mais machucar ninguém! O pessoal da delegacia disse que todo o mérito desse caso é seu. Vão até te dar um prêmio...
Ele respondeu com calma:
— Chega. A gente resolveu o caso com o esforço de toda a equipe. O mérito não é só meu.
Lavínia ficou imóvel, sem acreditar no que ouvira.
O vestido. A comemoração do aniversário. Ter sido deixada sozinha no restaurante.
Tudo aquilo tinha sido planejado para usar ela como isca?
Era uma armadilha para pegar o assassino.
Todos sabiam. Só ela não fazia ideia.
Pietro entrou.
— Lavínia, você passou por um grande susto. Precisa descansar nestes dias...
Ela deu um tapa no rosto dele antes que terminasse.
O golpe fez Pietro virar a cabeça.
Ele sentiu gosto de sangue na boca e franziu a testa.
— Você...
Quando voltou a encarar Lavínia, viu as lágrimas que cobriam seu rosto.
Ela falou entre soluços, com a voz tremendo:
— Que direito você tinha de me usar como isca sem o meu consentimento?
Pietro ficou em silêncio por alguns segundos antes de responder com seriedade:
— Nisso eu errei. Devia ter conversado com você antes. Mas, se não tivesse queimado os documentos de Débora por ciúme, ainda teríamos o retrato falado do suspeito. Não precisaríamos ter chegado a esse ponto. Só fizemos isso para prender o assassino em série o quanto antes e impedir outra vítima. Você devia entender.
Lavínia estava cansada demais. Já não conseguia suportar.
Sem forças nem para falar, encarou Pietro com os olhos vazios.
— Eu entendo. Pode sair. Quero descansar.
Ela se deitou e fechou os olhos, deixando claro que não continuaria a conversa.
Pietro suspirou.
— Então descansa.
Assim que os passos dele se afastaram, Lavínia abriu os olhos, se levantou e foi resolver a própria alta.
Mal chegou em casa, o telefone tocou.
Uma voz feminina desconhecida falou do outro lado:
— Por favor, estou falando com Lavínia? Seu divórcio já foi concluído. A sentença está disponível para retirada. Pedimos que compareça o quanto antes com um documento de identificação.
Aquele também era o dia da viagem para o intercâmbio em Belmária.
Ela apertou o telefone e respondeu, um pouco rouca:
— Certo. Estou indo agora.
Lavínia voltou ao quarto, pegou a bagagem e olhou uma última vez para a casa onde tinha vivido durante cinco anos.
Nas últimas semanas, retirara todos os seus pertences e os de Clara. Não deixara nenhum vestígio.
Agora, também desapareceria por completo da vida de Pietro.
Não teria mais nenhuma ligação com ele.
Ela virou e saiu, decidida, sem olhar para trás uma única vez.
......
Lavínia recebeu a sentença de divórcio no fórum.
Um rádio próximo transmitia as notícias.
O assassino em série tinha sido capturado, e os policiais envolvidos na investigação seriam homenageados.
Quando ouviu o nome de Pietro, ela passou ao funcionário o número do telefone do escritório dele.
— Por favor, avise que ele precisa vir buscar a sentença pessoalmente.
Depois, seguiu para a companhia de dança e encontrou as duas colegas que também participariam do intercâmbio no exterior.
As três foram juntas para o aeroporto.
A chuva tinha passado. O sol brilhava.
A nova vida de Lavínia estava começando.