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5 - "Não suba para meu quarto"

— Bom dia pai – Ronny foi o primeiro a se manifestar, fingiu não notar o olhar do pai para a namorada. Tudo bem ele não gostar de vê-la em sua casa, mas não podia disfarçar? — Clarisse se juntou a mim, espero que não se importe.

Tentou amenizar qualquer palavreado que viesse, não gostaria de ver sua namorada passando por aquele tipo de constrangimento, no entanto, Vicent apenas ajeitou sua gravata tomando seu lugar central na mesa  ao lado de Clarisse, assim que escutou seu "bom dia".

Bom dia seria, se ele tivesse acordado com ela.

Bom dia seria, se tivesse sido ele a dormir com ela.

Bom dia seria, se os gemidos que escutou do quarto ao lado, fosse ele o motivo.

Bom dia seria TAMBÉM se fosse ele a dar pedaços de bolo na boca dela e vê-la sorrir.

Aquele dia também seria bom, se estivesse sozinho naquela mesa, e o café da manhã fosse aquela garota que sorria como uma boa menina. 

Será se ela seria uma boa menina na sua cama?

Ah, uma droga mesmo, o sabor dos lábios dela deveriam ser doces. Bem doces, mais doces que ele bolo dado em sua boca…

— Você não tem que… – sua voz travou assim que assustou os jovens ganhando sua atenção. Limpou a garganta tentando não parecer tão… — Se você não for agora, chegará atrasado ao seu estágio. 

— Achei que iria com você. E pretendo deixar minha namorada em casa ainda.

— É assim que quer levar as coisas a sério? Sua namorada é mais importante que o trabalho? Não é só porque é filho do chefe que tem que chegar a hora que quiser.

— Pai. – A súplica do garoto fez Vicent amenizar seu olhar. Não brigava por ele chegar atrasado. Não era por isso…

Até porque quem seria louco de chamar atenção de Ronny Tornneght na empresa?

Não era por isso.

— Vamos indo – Ele levou já segurando a mão da namorada, no entanto, Vicent levantou de seu lugar também agarrando a mão livre da menina que se assustou mais que próprio.

Porque ele estava fazendo isso?

— Você pode ir. Deixe que ela termine de comer. 

Seu tom de voz foi como uma ordem.

Quem seria louco de ir contra?

— Preciso deixar ela em casa.

— Não se preocupe, ela arruma um jeito de ir, certo, Clarisse?

Deixando de olhar para Ronny, Vicent focou totalmente sua atenção a garota que apenas piscou em sua direção sem saber o que fazer. Aos poucos, notou que nenhum ou outro lhe soltará os braços.

Que tipo de brincadeira era aquela entre os homens?

— Tudo bem. Vou pedir para o motorista levar ela primeiro. Porque você pode dar seu jeito de ir pro trabalho – Ronny murmurou puxando Clarisse para mais perto.

Para lhe falar algo.

Algo que Vicent também queria saber, claro que ele queria saber por que faria melhor, muito melhor que um garotinho de meia idade.

Se afastou de vez tornando a se sentar. E não demorou a receber um olhar de reprovação do filho antes de vê-lo sair da mesa deixando Clarisse para trás.

O olhar perdido enquanto comia uma coisa ou outra sem jeito. Será que ele a assustou?

— Porque você faz isso? – Vicent a olhou outra vez, agora em seus olhos e sendo retribuído com o mesmo olhar. 

Ou não?

Era coisa da sua cabeça?

— Isso o que?

— O tratar mal. Ele não pode ficar um pouco mais comigo? Ou eu não posso ficar com ele?

Os dois.

— Não trato mal meu filho. Mas não gosto de vê-lo chegar atrasado em suas obrigações. Se você está atrapalhando é minha função deixar isso claro.

— Porque me segurou? - Ele não tinha a resposta correta no momento.  — Me impede de ir e vir com seu filho, isso quer dizer que na festa fará o mesmo?

— Ainda bem que tocou nesse assunto, espero que tenha algo decente para usar. Caso contrário, mandarei que uma amiga minha escolha alguns vestidos para que não apareça de qualquer jeito. 

— Você acha que não sei me vestir?

— Ficarei mais confortável em saber o que está vestindo… – Clarisse suspirou, mas isso poderia ser bom, ganharia mais ponto com ele. — Por dentro e fora do vestido.

— Por dentro… e por fora? – Clarisse murmurou tentando entender o que tinha sido dito, e olhando atentamente para o homem sentado no canto da mesa, não soube o que dizer. 

Ele estava querendo vê-la nua? Era isso? A namorada do seu filho?

— Esteja aqui algumas horas antes. Mandarei vestidos para escolher. A noite tem que ser perfeita para Ronny.

Dando esse ultimato, Vicent levantou da mesa sendo seguido pelos olhos claros da mulher que não tinha entendido. Ele a queria ver nua? Já não basta a achar bonita demais para Ronny, agora queria vê-la nua? Respirou fundo se afastando um pouco da mesa. O que estava acontecendo naquela casa?

Levantou rapidamente indo atrás daquele homem, porque se tinha alguma coisa rolando naquela casa ao seu respeito, iria descobrir. Chegou na sala vendo apenas a silhueta do homem dobrar no fim da escada, ah, estava indo para o quarto? Melhor, pois não teria ninguém para interromper. 

Subiu as escadas degrau por degrau e chegou ao corredor e nem sequer bateu na porta para abri-la e o viu juntando suas coisas ao redor da cama.

Ela notou quando o clima mudou, lá fora, o calor era infernal, mas ali dentro, o frio lhe percorreu o corpo inteiro. Estremeceu ao ver o olhar de repreensão vindo do homem. Ela poderia correr para longe, mas assim que tentou abrir a porta travou. 

Travou por quê?

Pra que?

— O que você está fazendo aqui? – Perguntou sem fôlego. Não poderia ficar num espaço fechado com aquela garota. Ele iria enlouquecer. — O que está fazendo no meu quarto?

— Você me disse coisas, coisas que  não poderiam ser ditas a mim – estremeceu ao vê-lo dar um passo em sua direção. — Como quer ver por dentro e fora do vestido. Isso quer dizer que te alegraria me ver nua?

— Isso é inapropriado. E errado da sua parte vir ao meu quarto para me perguntar coisas que não fazem sentido. Por favor, saia.

Vicent tinha razão.

Subir até ali, lhe questionar sobre ele a querer vê-la nua. Isso era um absurdo sem tamanho. Mas não dava para não pensar nisso. O contexto da conversa, o assunto do vestido, tudo levava a crer que ele queria sim.

Depois de muito pensar, ergueu a cabeça para tornar a encarar o homem que estava mais perto, mais perto do que precisava, os olhos claros brilhando em sua direção como se tivesse vendo uma joia preciosa. Essa joia era ela? Claro que não, ela era apenas uma garota, não chegava nem perto das modelos lindas a qual já tinha o visto sair.

— Você tem razão. Foi um erro eu subir até aqui para lhe perguntar algo tão bizarro. – Murmurou, no entanto, Vicent jogou sua cabeça para o lado, analisando o rosto bonito e aqueles lábios que abriam e fechavam. Ele nunca tinha ficado tão próximo dela como naquele momento. 

Seu corpo estava rígido, podia sentir todas as elevações de músculos e seu amigo subir como se estivesse pronto para dar o bote.

Ele podia fazer isso… na frente das pessoas. Tendo ela tão perto agora, ninguém precisava saber.

— Você não iria querer me ver nua. Afinal, não sou tão bonita como as mulheres que já estiveram em seu quarto. - Suas palavras saiam e ele ouvia tudo atentamente, mas sua atenção era dada toda aos lábios.

Clarisse acabou sorrindo com a imagem, ele tão perto, cheiroso, e parecia gostar de seus lábios. Sorriu mais os mordendo, será que ele estava mesmo olhando para sua boca.

A ação da mordida fez o homem se aproximar mais a prendendo contra a porta. O sorriso parou, e logo seus olhos se encontraram de verdade. 

— Você é bonita sim. – Ela sentiu um fogo de energia dentro de si. Aquilo era gostoso de ouvir, ainda mais vindo dele. — Bonita demais para estar no meu quarto. Não suba mais.

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