Mundo ficciónIniciar sesión— Então eu entendi certo quando você disse que era bonita. Na verdade, achei que tinha feito isso para me agradar, para que eu venha na festa com o Ronny, sei que não gosta de mim.
— Nunca disse que não gostava de você. – Sua frase saiu rouca, estava na cara que ele não iria para o trabalho sem antes tomar um banho gelado e ter suas mãos fazendo um trabalho vergonhoso para sua idade.
— Você disse várias vezes.
— Eu disse que não gostava de você com meu filho. Mas eu gosto… de você.
Clarisse arregalou os olhos virando as costas na mesma hora. A porta ainda não abriria e ela sentiu a respiração dele vir ao pé do ouvido. Fechou os olhos quando o peito dele encostou em suas costas e uma parte mais enrijecida...
Não sabia se tentava sair daquele fecho. Era fantasioso e sex, mas tão errado. Muito errado.
— Quer mesmo saber minha resposta?
— Quero… – Talvez gemer um "quero" para o homem poderia lhe dar brechas para inúmeras fantasias que se passavam na cabeça, não teria sido uma boa ideia. Sentiu a mão dele pousar em sua cintura e apertar. Aquilo era bom. Fechou os olhos apenas para sentir o calor.
— Eu gostaria de vê-la nua. – Clarisse tentou, mas não evitou o sorriso. — Mas só vê-la, não me traria alegria.
— E o que te daria alegria? – Perguntou devagar, dando mais um sorriso, porém, virou novamente para encarar o homem nos olhos, — O que te daria alegria além de me ver nua?
— Tocar em você. Te jogar nessa cama e sentir tudo em você, com as minhas mãos e a minha boca.
Clarisse respirou fundo tentando manter aquele contato. Sabia que o rosto estava vermelho, e que tudo que ele disse parecia um convite que por um momento, pensou em aceitar.
Mas era errado. Muito errado.
Seu momento de silêncio fez com que Vicent pensasse duas, três, dez vezes, antes de destravar o trinco da porta mais acima a qual ela não viu. O barulho a fez despertar e ao mesmo tempo, o homem se afastou, mas não deixou de encará-la.
— Eu sou a namorada do seu filho – Murmurou devagar, o outro apenas riu.
— Isso não me impediria de ter o que eu quero. – Clarisse ofegou dando um passo à frente. Vicent abriu mais os olhos, estavam em alerta. Se aquela mulher desse outro passo, ele a pegaria. Não pensaria mais em nada.
Porém ela recuou, finalmente saindo do quarto.
Vicent fechou os olhos já puxando a gravata do pescoço. Precisava de um banho, e da imagem de Clarisse jogada na sua cama apenas para seu deleite.
Do outro lado, Clarisse desceu as escadas correndo quase tropeçando em todos os degraus e atravessou a porta daquela casa. Não esperou o motorista abrir a porta do carro, apenas entrou e pediu para ir embora rápido. Seja lá o que aconteceu naquele quarto. Ninguém podia saber.
Ninguém.
Clarisse não lembrou exatamente quando e porque achou que ir para a faculdade naquele dia, depois de todos os acontecimentos da manhã, iria lhe ajudar. Desde que sentou na cadeira até o levantar para ir embora tudo que ela conseguia pensar era no rosto daquele homem, nos seus olhos claros a devorando, seus lábios abrindo e fechando como se quisesse dizer muitas sacanagens e talvez fosse lindo de ouvir, sua voz grossa falando sacanagens.
Não.
Não.
Não.
Não.
Ela não podia pensar naquilo. Vincent Tornneght era seu sogro, pai do seu namorado e jamais poderia pensar em dormir com ele. Seria estranho, já era estranho ele querer vê-la nua. Dizer que ela era bonita.
Estava claro que ele a queria, mas como? Porque? E odiava também saber que quase cedeu, quis beijar sua boca, sentir seu toque. Não. Não. Aquele não era o comportamento que sua família ensinou.
Talvez se ficasse na sua, nada daquilo iria acontecer novamente. Claro que se não tivesse subido até o quarto dele, não teria ouvido de seus lábios lindos e suculentos que ela seria jogada na cama, e seria tocada, sugada pela língua dele.
Ela queria isso.
Não.
Não.
Não.
— Não – Murmurou devagar despertar de seus pensamentos e encarar com mais atenção à mulher à sua frente. Havia um sorriso medroso e um livro direcionado a si.
— Só quero saber o valor desse livro, pagar e ir embora. Ou posso só ir embora. Caso queira voltar para seu sono profundo. – a cliente achou graça, enquanto Clarisse apenas assentiu.
Não deveria ter assistido à palestra, nem indo para seu trabalho se tivesse corrido para casa não teria que falar sozinha ou sonhar acordada com o pai do seu namorado. Um homem proibido. E ela amava Ronny. Né?
Amava!
Quando voltou para casa naquela tarde, não escapou dos seus pais em perguntar tudo sobre a festa que ia no Natal, pois ambos estariam juntos assistindo e comendo agarrados, o que não era algo ruim para o casal de senhores apaixonados que davam tudo para estarem juntos.
Porém, a única pessoa a qual Clarisse não conseguiu escapar de sua Vivian que invadiu seu quarto com opções viáveis para a festa de Natal. Podiam sair naquela mesma noite para procurarem por um vestido lindo, ou escolher pela internet e encomendar o mais breve possível, afinal, o Natal seria nesse fim de semana e quanto mais rápido se arrumasse, melhor. Porém…
— Então isso quer dizer que ele acha que você não sabe se vestir? – Vivian se jogou na cama ao lado da garota que já abraçava seu urso preferido. — Ou ele quer te colocar dentro de um vestido horroroso?
Por um momento Clarisse pensou nessa questão, e se ele quisesse que ela perdesse todo o tempo que tinha para procurar um vestido bonito e entregar a ela um que não lhe serviria para ela não ter o que vestir.
Porém, e se ele estivesse falando a verdade? Depois das duas últimas trocas de palavras, seria ruim se ele estivesse apenas brincando com sua cabeça, sua mente… mas não, ela era linda sim, e tudo bem um homem como aquele achar também, né?
Né?
— Na verdade ele aceitou que eu vá na festa, pois precisa que Ronny esteja lá. Então se eu não for, Ronny não estará presente para ser apresentado.
— E ser apresentado é tão importante assim?
— Isso é coisa de gente rica, ele quer mostrar que tem um herdeiro. Algo do tipo.
— Que sorte a sua cair numa família assim. Digo… O Ronny é um cara muito bonito e apaixonado por você. E além de tudo, é rico. Você ganhou na loteria.
— Não preciso do dinheiro dele, tenho minha mesada e meu fundo estudantil é mais alto do que você pensa.
Ambas sorriram deixando de lado a preocupação com o vestido, porém, seria mais prudente deixar um de reserva. Vicent Tornneght não iria estragar sua noite.
Assim que terminaram de escolher um possível vestido, Clarisse foi avisada de que o seu namorado estava ali para vê-la.
Tinha dormido com ele, passado uma noite e tomado um café delicioso com ele, ainda assim, era pouco. Amava beijar seus lábios e tocar em seus cabelos.
Ronny era o namorado perfeito? Não sabia, mas queria descobrir um pouco mais.
Jantaram com os pais de Clarisse e sua amiga que não parava de falar sobre a tão sonhada festa dos Tornneght e seria uma pena não poder levá-la, pois a lista de convidados era restrita apenas aos desejos de seu pai.
— De verdade, não é culpa minha não poder levar seus pais, iria gostar de tê-los lá – Ronny confessou ao parar em frente ao seu carro para de despedir da namorada.
— Meus pais entenderam muito bem, e até ficaram mais tranquilos de eu estar com você. Eles ficaram juntos, um jantar romântico, uma troca de presentes linda e fofa, e no final, vão pra cama.
— Hmmmm. Nossa noite também será especial. Porque depois dessa festa chata, vamos passar a noite juntos. Meu pai alugou um barco e vamos fugir para lá antes dele. – Brincou com um sorriso grande ao abraçar a namorada.
— Ah sobre seu pai – Hã? O que ela estava fazendo? Será se contava tudo ao namorado o que estava acontecendo? Ou esperava mais um pouco? Não. Não. Não podia contar nada sobre o que rolou naquele quarto. Não podia. — Ele disse que mandaria alguém procurar alguns vestidos…
— Clarisse, não pense no meu pai como um monstro. – Agarrou as mãos na namorada dedilhando o anel a qual tinha dado — Ele sabe que se você não for a essa festa, eu não vou. Por isso cedeu e me prometeu que te trataria bem. Apesar de não gostar de você.
Isso era mentira. Ele gostava.
Só não gostava de ver seu filho com ela.
— Ele disse finalmente que não gosta de mim?
— Não, não, não se preocupe. – Tentou desconversar, não queria sua namorada se sentindo mal — Você é minha namorada, e eu gosto de você. E é isso que vale.
E era isso mesmo, né?
NÉ?







