O resto do dia foi consumido por formulários, orientações do RH e um turbilhão de informações jurídicas que me deixaram com dor de cabeça.
Ainda assim, era impossível ignorar a presença dele.
Cada vez que Vicent passava pela sala onde eu estava, a energia mudava.
Seus olhos sérios, frios, de um homem acostumado a controlar tudo desviavam para mim, como se cada gesto que eu fizesse desafiasse sua compostura.
Eu fingia que não percebia.
Mecanicamente, preenchia papéis, revisava documentos, estudava contratos.
Minha disciplina precisava ser maior que qualquer provocação que meus sentidos teimavam em sentir.
Eu estava ali para construir meu futuro.
Não para brincar com fogo.
E mesmo assim...
Até o som de seus passos pesados, ritmados pelo corredor, me deixava atenta demais.
Porque droga! Ele parecia ainda mais sexy daquele jeito.
De tempos em tempos, eu me obrigava a cruzar o corredor até a sala de apoio, apenas para verificar algum arquivo, buscar uma assinatura...