Início / Romance / O PREÇO DE UMA PROMESSA: SOB O DOMÍNIO DO GREGO / Ícaro tem um filho? Está zombando comigo, certo?
Ícaro tem um filho? Está zombando comigo, certo?

Petros me encara com uma expressão de desgosto, seus olhos cinzentos perfurando os meus, como se quisesse ler minha alma. Ele não se abala.

— Não estou aqui para insultá-lo, Átila. Estou aqui para falar sobre uma questão séria, uma oportunidade para você se redimir de seus erros e mostrar que é digno do nome que carrega. Uma chance de se tornar o homem que Ícaro deveria ter sido.

— Eu não carrego seu sobrenome, e sim o de meu pai, cujo homem o senhor tanto despreza e que sempre fez questão de deixar claro isso — rebato, a voz carregada de ressentimento. É uma ferida antiga, que nunca cicatriza.

Meu tio funga, um som de desprezo. — Sua mãe fez uma má escolha se casando com aquele cigano. Contudo, quando seus pais morreram, eu te dei um teto, não dei? Está na hora de retribuir. Está na hora de pagar a sua dívida.

As palavras dele ecoam na minha mente, me transportando para a época em que meus pais morreram. Eu tinha apenas doze anos quando eles sofreram um acidente de carro. Tio Petros nunca me deixou esquecer que ele me acolheu, que ele fez um "favor" ao me trazer para sua casa. Essa dívida era uma corrente invisível que ele usava para me controlar, sempre me lembrando de que, na sua visão, minha própria existência era uma mácula no legado dos Papadakis Lykaios.

— Que tipo de retribuição deseja agora? Eu não o tenho ajudado nos negócios, não abandonei meu trabalho na agência de carros? — pergunto, cruzando os braços, a voz carregada de ironia. Já não sei o que mais ele pode querer.

Ele se aproxima mais, seus olhos brilhando com uma intensidade que me faz sentir desconfortável, como um animal encurralado. Ele está prestes a desferir o golpe final.

— Você vai se casar, Átila. E vai assumir a responsabilidade de criar o filho de Ícaro, seu primo, como se fosse seu próprio filho. É a única forma de redimir a honra da família.

A revelação me atinge como um soco no estômago, tirando o ar dos meus pulmões. Casar-me? Criar o filho de Ícaro? Tudo isso soa como uma piada de mau gosto, uma farsa cruel orquestrada pelo destino.

Eu olho para Petros, esperando ver um sinal de que ele está brincando, que tudo não passa de um pesadelo, mas tudo o que encontro é seriedade e uma determinação inabalável. Seus olhos são de aço.

— Ícaro tem um filho? Está zombando comigo, certo? — minha voz sai ríspida, quase um sussurro, mal reconhecendo o som da minha própria voz.

— Não, não estou brincando — diz meu tio Petros, com uma expressão grave no rosto. Eu não sabia o que esperar, mas sentia que algo importante estava para ser revelado, algo que mudaria tudo.

Ele respira fundo, como se estivesse reunindo forças para contar uma história antiga, e começa a narrar sua descoberta, a voz carregada de um arrependimento que me surpreende:

— Após a morte de Ícaro, fui ao escritório dele e comecei a vasculhar os documentos que ele havia abandonado. Encontrei um caderno de capa preta que me chamou a atenção. Quando o abri, percebi que era um diário. Nele, Ícaro escreveu sobre o amor que sentia por Elena e a pressão insuportável que enfrentava para atender às minhas expectativas. Eu o ameacei, disse que o deserdaria se escolhesse Elena. Isso o devastou. No diário, Ícaro descreveu sua depressão e vazio emocional. E então aconteceu o pior: a garota morreu no parto, e meu filho ficou arrasado. Isso explica por que ele se entregou à bebida e morreu por causa dela. Minhas expectativas o esmagaram. Falhei como pai e protetor, e isso custou a vida do meu filho.

Pude sentir a dor e o arrependimento em sua voz, e isso me surpreende. Meu tio não costuma a se arrepender das coisas, ele é um homem de certezas absolutas. Mas a história de Ícaro, seu amor por essa garota, as expectativas opressivas de meu tio... tudo se desenrola diante de mim como uma tragédia grega, uma sequência de eventos que culminaram em dor e destruição. É uma repetição do que meu avô fez com minha mãe ao rejeitá-la de sua vida. Ícaro sabia disso e com certeza sabia até onde ia a mente doentia dessa família, a teia de intrigas e preconceitos que nos envolvia.

— Isso é... terrível — murmuro, lutando para processar a magnitude do que acabo de ouvir. Minha mente gira, tentando assimilar a informação.

— Contratei um investigador para saber se o bebê está vivo e descobri que o meu neto sobreviveu. A irmã de Elena, Sasha, uma garota de dezoito anos, está cuidando dele. Saber que meu neto está vivo foi um raio de luz na minha vida. Ele é a continuação de Ícaro neste mundo. É a minha chance de redenção.

Ele olha diretamente nos meus olhos, com uma determinação clara em sua voz, uma resolução que não admite objeções.

— E agora estou decidido a corrigir meus erros, honrar a memória de Ícaro e garantir um futuro melhor para meu neto e, então, conversando com a família dela, ficou acordado que você irá se casar com a irmã de Elena, Sasha. É um casamento de conveniência, Átila. Pelo bem da criança e da família.

Eu nunca tinha visto meu tio tão vulnerável e determinado ao mesmo tempo. É uma combinação perigosa.

— A garota que tem dezoito anos? — questiono, indignado, a voz subindo um tom. É um absurdo!

Meu tio me olha impassível, sem um pingo de emoção. — Sim.

— Uma criança! — exclamo, incrédulo. Ele não pode estar falando sério.

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