Psicopatas e Promessas

Sasha

Pego uma taça de vinho tinto, sentindo o vidro frio contra a palma da minha mão trêmula, e me escondo estrategicamente atrás de uma pilastra de mármore próxima à mesa de bebidas. Preciso de um momento, um respiro, qualquer coisa que ajude a acalmar meus nervos que parecem prestes a entrar em curto-circuito. As vozes de duas mulheres chegam aos meus ouvidos, nítidas e carregadas de veneno, fazendo com que eu me incline ligeiramente para escutá-las sem ser vista, como uma espiã em meu próprio casamento.

— O garanhão, o lobo solitário, finalmente se casou... — Ouço uma voz feminina vindo logo atrás de mim. É uma mulher alta, de cabelo loiro platinado e um vestido vermelho tão justo que parece uma segunda pele. Ela conversa com outra mulher de aparência igualmente glamourosa e artificial.

— Sim. Nunca imaginei que um dia isso ocorreria. Átila sempre foi conhecido por sua aversão visceral a qualquer tipo de compromisso — responde a outra, com um sorriso malicioso que distorce seus lábios pintados de carmim.

— Só mesmo um casamento de conveniência para prender um homem como ele — continua a primeira, balançando a cabeça em uma descrença teatral. — Todo mundo sabe que ele só se casou por causa do filho de Ícaro. É a única explicação lógica para um homem como ele se prender a alguém tão... comum.

— Com certeza. Átila nunca foi de se amarrar. Ele sempre teve as mulheres mais desejadas aos seus pés, descartando-as como lenços de papel. E agora, de repente, ele se casa? — a segunda completa, com um tom de ironia que me atinge como um tapa.

— É tudo por causa do pequeno Leo. Não é nenhum segredo que ele foi forçado a isso pelo tio Petros. — A primeira mulher revira os olhos, as joias em seu pescoço brilhando sob a luz dos lustres.

— Mas, quem sabe ele toma jeito agora... Talvez ele realmente mude, embora eu duvide muito.

— Eu também duvido. Um lobo como Átila não muda suas manchas tão facilmente. Os homens lá fora estão até fazendo suas apostas sobre quanto tempo ele vai conseguir se manter fiel. Dizem que a banca está alta.

— Aposto que ele nem consegue passar do primeiro mês sem procurar uma diversão fora de casa — a primeira mulher acrescenta, rindo. — Essas apostas estão muito mais interessantes que a própria festa, que está um tédio.

Minhas mãos tremem de forma incontrolável enquanto aperto a taça de vinho, o líquido escuro balançando perigosamente. O que elas dizem ecoa, com uma precisão cruel, minhas próprias dúvidas e medos mais profundos. Aparentemente, todo mundo ao nosso redor está ciente das circunstâncias humilhantes que nos uniram, e isso só aumenta a pressão sufocante que sinto no peito. Tento respirar fundo, buscando o ar que parece ter sumido do salão, e me lembro de que preciso ser forte. Independentemente do que essas hienas dizem, eu tenho que encontrar meu próprio caminho nesta nova vida ao lado de Átila. E, acima de tudo, preciso proteger meu coração de ser esmagado novamente.

Nessa hora, minha mãe se aproxima, com aquele sorriso de "miss" que ela usa para disfarçar o desconforto.

— Átila não consegue tirar os olhos de você, Sasha. Parece que você deixou uma impressão bem profunda nele... — ela diz, tentando soar encorajadora.

Antes que ela comente qualquer outra bobagem romântica, eu a interrompo, a voz cortante:

— As mulheres ali atrás estão comentando que esse homem com quem me casei não tem sentimentos. Ele nunca gostou de compromisso, mãe. Ele pode ser um psicopata. Já pensou nisso? De verdade?

Minha mãe suspira pesadamente, balançando a cabeça com aquela paciência irritante que ela reserva para os meus "surtos".

— Theós! Sasha, por favor, não seja tão dramática. É o seu casamento!

— Dramática? Você sabia que dez entre dez psicopatas treinam suas maldades no cachorro mais próximo? — lanço meu melhor argumento de humor ácido, embora sinta um fundo de pavor real. — Eles usam todo tipo de sadismo nos pobres coitados para depois aplicar nos humanos. Imagine o que ele pode fazer comigo quando estivermos sozinhos?

Minha mãe me olha com uma exasperação que beira o cansaço físico.

— Como você deturpa as coisas, minha filha. Átila pode ser um homem complicado, eu admito, mas psicopata? Isso é um absurdo! Ele é um homem complexo, com suas próprias dificuldades de criação, mas isso não o transforma em um monstro de filme de terror.

— Mãe, você não sabe o que está dizendo. Ele tem um passado sombrio, todo mundo sabe. E se ele for perigoso? E se você e o papai colocaram minha vida em risco por causa de um contrato? Já viu como ele olha fixamente para as coisas? Como se estivesse dissecando cada objeto? E essa história de que nunca namorou... Ele pode ter um porão cheio de segredos horríveis, tipo o Barba Azul!

— Sasha, você está deixando sua imaginação correr solta demais. Andou assistindo muito Dexter ou lendo thrillers psicológicos? Átila pode ser reservado, mas ele é um ser humano de carne e osso. As pessoas podem mudar, especialmente quando enfrentam novas e grandes responsabilidades como um filho.

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