Posso ficar aqui?

Estava terminando de pintar as unhas dos pés quando a música ecoava pelo rádio, preenchendo a casa com a batida de God is a DJ.

Cantei baixinho, movimentando os dedos dos pés com um sorriso satisfeito ao ver o brilho do esmalte vermelho recém-aplicado. Com toda certeza, vermelho é a minha cor – pensei, admirando o tom vibrante que dominava minhas unhas.

O calor da noite se arrastava pela casa, e eu sentia aquela energia que só uma boa noite podia trazer. Era o tipo de noite em que você se entrega sem pensar, se j**a no desconhecido. E eu estava mais do que pronta.

Levantei, sentindo a música ainda ressoando dentro de mim, e fui até o guarda-roupa. As portas duplas abriram, e eu encarei o que tinha ali. Dois vestidos, ambos capazes de me fazer brilhar na noite, mas… qual deles seria a escolha certa? O azul elétrico de costas nuas, provocante e ousado, ou o preto curto e colado, que deixava pouco para a imaginação?

Vamos lá, Angel! – murmurei para mim mesma, encarando os dois vestidos. Cada um parecia chamar por mim de maneira diferente. Tudo depende do tipo de cara que você quer pegar – pensei, e a resposta veio sem esforço algum. Quero o padre gostoso, claro.

Balancei a cabeça, rindo de mim mesma. Não podia pensar no Padre André agora. Hoje, queria apenas me divertir. Sem complicação, sem sentimentos, só diversão. Então, sem pensar muito, peguei o vestido preto, jogando-o sobre a cama. Ele era justo, marcando minhas curvas e, com o decote suave, sugeria muito mais do que mostrava.

Fui até o banheiro, arrumei meu cabelo, e antes de sair, dei uma última olhada no espelho. Minha imagem estava impecável. Eu sabia que a noite seria minha.

(…)

A pista de dança estava fervendo, a música preenchendo o espaço com uma energia elétrica, enquanto eu deixava o corpo seguir o ritmo. Rebolava sem vergonha, sem inibições, me entregando ao prazer da música, do movimento. O álcool já fazia efeito e, antes que eu me desse conta, estava no quinto copo de tequila. As pessoas ao meu redor se misturavam em um mar de corpos suados, mas eu não estava ali para eles. Eu estava ali para mim.

E então, o vi. O homem perfeito para aquela noite. Ele passou por mim, um loiro atlético com um sorriso de quem sabia o que queria. Ele estava com a confiança de quem estava acostumado a ser desejado. Não precisei pensar duas vezes.

Puxei-o para mais perto, sussurrando no seu ouvido enquanto meu corpo já começava a se aproximar do dele. — Oi!

Ele se arrepiou ao ouvir minha voz quente e provocante, e me puxou com uma força irresistível, os olhos dele brilhando com uma mistura de desejo e desafio.

– Como você se chama, gata? – ele perguntou, com aquele sorriso maroto.

– Me chamo como você quiser – respondi, minha voz mais rouca, mais envolvente.

Ele sorriu, sem saber exatamente o que esperar.

– Sou Felipe.

– Está me dizendo seu nome para eu não gemer o de outro? – perguntei com um sorriso travesso.

Ele riu baixinho, mas não perdeu tempo. Me puxou para um beijo feroz, seus lábios se chocando contra os meus, exigentes, dominantes. Enrosquei meus dedos nos seus cabelos, me entregando ao momento. As mãos dele começaram a explorar meu corpo, como se quisesse marcar seu território, e eu não fiz nada para impedir.

– O que acha de irmos para um lugar mais reservado? – ele sussurrou na minha orelha, a voz rouca de desejo.

Arrepios correram por meu corpo. Não precisei pensar para responder.

– Acho uma ótima ideia – falei, sorrindo com malícia, antes de ele me puxar pela pista de dança e sair da boate.

No estacionamento, ele parou ao lado de uma Ranger preta. Ele estava tão perto que o cheiro de seu perfume masculino se misturava com o meu.

– É sua? – perguntei, passando a mão pelo carro, sentindo a textura fria da pintura sob minha pele quente.

– Sim. Gosta? – Ele me prensou contra o carro, a boca colando na minha de forma impiedosa.

– Hunhum– falei, e antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, ataquei seus lábios novamente, meu corpo se pressionando contra o dele, meus quadris se movendo com mais força.

As suas mãos subiram para as minhas coxas, me apertando com mais intensidade. Eu gemi entre o beijo, e ele reagiu, mordeu meu lábio inferior, me fazendo sorrir com um brilho perigoso nos olhos.

– Não me provoque. – Ele rosnou, seus dedos se apertando na minha carne.

E eu congelei…

A lembrança do sonho com o Padre André invadindo minha mente. Ele estava ali, em algum lugar, em algum pensamento profundo e secreto. O calor do corpo de Felipe já não fazia sentido. Eu não queria mais aquilo. Algo dentro de mim se despedaçou, e a lembrança de André se tornou mais forte. A voz dele, o olhar fixo, como se estivesse me chamando.

Afastei-me gentilmente de Felipe, que continuava a beijar meu pescoço com desejo.

– O que foi? – ele perguntou, confundido.

Eu já sabia o que estava acontecendo. Não podia continuar assim.

– Eu preciso ir – falei, a voz mais suave do que eu esperava.

Felipe franziu a testa, preocupado, mas eu já estava indo embora.

A chuva começou a cair, fria e densa, e eu não parei de andar. Caminhei sem rumo pelas ruas escuras até chegar à igreja. Ela estava lá, como uma presença que não me deixava escapar. Subi os degraus e bati nas grandes portas de madeira, o som da batida sendo abafado pelo trovão que ecoava no céu.

A porta se abriu, revelando Padre André de roupão vermelho, com o rosto sonolento e os cabelos bagunçados. Ele me olhou surpreso.

– Angeline? – Ele perguntou, sua voz rouca pela falta de sono.

Fui até ele, sentindo a solidão invadir meu peito.

– Posso ficar aqui? – perguntei, meus dentes batendo devido ao frio, mas com o calor da necessidade queimando meu corpo.

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