༺ Tamara Silva ༻
Olhei para a mensagem na tela do celular com desconfiança. Pedro agindo sério, direto, sem pedidos, ou rodeios, sem aquela insistência quase irritante que sempre o denunciava. Aquilo, por si só, já era estranho.
Pedro, não fazia nada sem segundas intenções.
Cruzei os braços, sentindo um arrepio percorrer a espinha. Do nada, ele resolveu vestir a máscara da formalidade? Depois de tudo o que aconteceu? Não. Havia algo ali. E eu não era ingênua o bastante para ignorar esse detalhe.
Convivi dez anos com ele. Dez anos aprendendo a decifrar cada gesto, e mudança de humor, e silêncio calculado. Se ele pensava que essa postura fria me faria correr de volta, estava redondamente enganado.
A antiga Tamara entraria em colapso. Ficaria ansiosa, insegura, questionando cada palavra, espaço vazio. Essa versão de mim se desesperava só com a possibilidade de ser ignorada.
Mas ela ficou no passado.
A mulher que existia agora não implorava por atenção. Nem se moldava para caber em expect