Se alguém me dissesse, há algumas semanas, que eu estaria caminhando pelos corredores silenciosos da Torre dos Magos com o estômago revirado e os pulmões apertados, eu teria rido.
O Clube de Astrologia sempre foi meu lugar favorito, meu refúgio. E, no entanto, ali estava eu, com o coração pesado como meteorito e um desejo absurdo de simplesmente voltar para a cama e puxar o cobertor sobre a cabeça.
Mas eu precisava estar ali.
Não porque eu queria, mas porque, se falhasse em mais uma aula, mais uma atividade, mais um compromisso, seria chamada novamente à administração, e eu não tinha forças para mais reuniões, mais olhares atravessados, mais “estamos aqui para ajudar”, quando na verdade todos só queriam me vigiar.
Segui pelo corredor estreito, as pedras antigas iluminadas pelas lanternas de chamas púrpuras, encantadas. A cada passo, o ar ficava mais perfumado com incenso de lírio e marfim queimado, típico das reuniões do Clube. Isso sempre me confortava, agora, só fazia meu peito doer