Mundo ficciónIniciar sesiónElizabeth
Olhei em volta, meus olhos tentando se ajustar à escuridão densa. Não havia ninguém. Apenas o som de uma goteira distante e o vento soprando um jornal velho pelo chão. O vazio da rua era mais intimidador do que se houvesse uma multidão. Encostei as costas no carro. Meu coração batia tão forte que eu temia que o sensor no meu pulso disparasse o alerta de segurança por engano. Eu estava ali. Exposta. A Dra. Sullivan, a mulher que gerenciava milhões, agora não era nada além de uma silhueta no escuro, esperando por um homem que poderia ser sua salvação ou sua ruína. Ele poderia chegar a qualquer momento. Ele poderia estar me observando agora mesmo, através de alguma lente ou apenas escondido atrás de um daqueles contêineres de lixo. A sensação de estar sendo vigiada rastejou pela minha espinha. Eu queria o imprevisto. E o silêncio da Rua 4 era a promessa de que ele seria ainda mais avassalador do que eu havia imaginado. Yannis Eu a observei estacionar o carro através da fresta de uma janela quebrada no segundo andar do armazém abandonado. Elizabeth era uma criatura de hábitos, de linhas retas e horários precisos, mas ali, sob a luz instável de um poste que piscava na Rua 4, ela parecia deliciosamente fora de lugar. O blazer escuro, a saia lápis que limitava seus passos e o som metálico de seus saltos agulha contra o asfalto eram sinais de uma superioridade que eu estava prestes a rasgar. Enquanto ela caminhava em direção à esquina, minha mente voltou para as semanas de conversa no The Void. Eu li o que foram dias de mensagens com o Ghost, onde cada palavra dela era um pixel de uma imagem que eu estava montando. No começo, Elizabeth ou "Canelinha", como eu a apelidei e ela resolveu usar de nickname no fórum, era hesitante. Suas frases eram curtas, protegidas por uma timidez que transparecia até através da tela fria do computador. Ela explicou o que queria com a cautela de quem confessa um crime. Disse que viu os relatos no perfil do Ghost relatos de mulheres anônimas que descreviam experiências intensas, sombrias e, acima de tudo, libertadoras. Elas diziam que ele "fazia bem feito", que entregava a fantasia sem deixar rastros. Ela queria aquilo. Queria o medo, a perseguição e a rendição. Queria ser caçada em um lugar onde ninguém pudesse ouvir seus gritos ou seus suspiros. Eu ri sozinho ao lembrar das exigências dela sobre segurança. Ela foi pragmática. Exigiu o uso de preservativo, ele respondeu com uma honestidade que parecia hesitante, que sua saúde era impecável, mas que seguiria as regras dela. O acordo sobre as palavras de segurança,uma para o início da caçada, quando o jogo deixasse de ser conversa e passasse a ser ação, e outra para encerrar tudo caso o pânico real superasse o prazer da simulação. O pagamento foi metade adiantado,o que já tinha sido enviado para verdadeiro dono da conta e a outra metade seria paga quando ela estivesse em casa depois de tudo. Esse talvez ele não recebesse mais. Ela nunca descreveu o sexo em detalhes, mas eu sabia ler as entrelinhas. Uma mulher como ela, que passa o dia dando ordens e controlando impérios, não estava ali para algo suave. Ela queria ser dominada. Queria sentir o peso de alguém que não se impressionava com o seu saldo bancário ou seu título de doutora. Eu nunca tinha feito exatamente esse tipo de "serviço" profissionalmente, mas para ela, eu faria qualquer coisa. Só de imaginar o contraste da pele dela contra o concreto frio, minha boca salivava. Meu corpo reagiu a ela o dia inteiro no café, cada vez que eu pensava sobre as conversas, eu sentia o meu pau latejar contra o jeans, um segredo obscuro escondido sob um avental de funcionário do mês. No intervalo do almoço, vim até aqui. Estudei cada ângulo da Rua 4. O prédio velho de tijolos aparentes, com suas portas de aço enferrujadas e janelas lacradas, era o cenário perfeito. Levaria Elizabeth para o coração desse prédio. Ali, o mundo exterior deixaria de existir. Ninguém nos veria. Ninguém nos interromperia. Passei em uma loja de artigos táticos e comprei a máscara. Uma balaclava preta, de tecido denso, que cobria todo o meu rosto, deixando apenas os meus olhos expostos. No centro, uma caveira branca estilizada brilhava suavemente um aceno ao meu novo apelido agora, o Fantasma que ela tanto desejava encontrar. Agora, vestido com um moletom preto, o capuz puxado sobre a cabeça e o jeans escuro que me transformava em uma sombra entre as sombras, eu a via. Elizabeth encostou no carro,a respiração curta criando uma pequena névoa no ar frio de Chicago. Ela parecia uma executiva perdida em um pesadelo, mas eu sabia que aquele era o sonho dela. Eu me movi silenciosamente, contornando a lateral do prédio, aproveitando cada zona morta de iluminação que eu havia mapeado horas antes. Meus passos eram de fantasmas, minha respiração, controlada. Eu estava atrás dela agora. A poucos metros. Conseguia quase sentir o cheiro do seu medo e ansiedade, misturado ao perfume caro que sempre me perseguia nos meus sonhos. Ela não me viu. Ela não me ouviu. Era hora de dar o bote. Era hora de mostrar a Elizabeth que, no escuro, o controle é apenas uma ilusão que eu escolhi destruir. Estiquei a mão e envolvi sua cintura por trás, enquanto a outra mão pressionava seu corpo contra o carro frio. Inclinei-me sobre o seu ouvido, sentindo-a estremecer violentamente sob o meu toque. —Se gritar ou fizer algum barulho vai ser pior pra você. Sussurrei, a voz abafada pela máscara de caveira, mas carregada de uma promessa que a faria esquecer o próprio nome até o amanhecer. Eu tinha que ter cuidado em mudar um pouco o tom da minha voz,porque ela jamais poderia descobrir que era eu ali e não o cara com quem ela conversou por dias naquele fórum ou quem lhe serve seu expresso perfeito diariamente. O jogo tinha finalmente começado.






