“O monstro mais perigoso não é o que odeia, é o que se sente autorizado.”
— Eu quero tudo! — Isadora disse, sem preâmbulo.
Houve uma pausa pequena.
— Tudo o quê?
Isadora abriu os olhos e olhou para o reflexo dela mesma no vidro da janela: cabelo desalinhado, robe aberto, olhos ardendo. E ainda assim… poderosa.
— Eu quero ver o mundo deles sangrar — ela respondeu, com uma calma que era mais assustadora do que qualquer grito. — Eu quero ver a Clara perder o chão. Eu quero ver o Lucca perder o controle. E eu quero…
Ela hesitou por meio segundo.
A frase seguinte tinha gosto de veneno.
— Eu quero que a minha mãe se arrependa de ter nascido.
Do outro lado, houve um silêncio.
Depois, um meio riso.
— Você está brava.
Isadora apertou o celular com força.
— Eu estou livre — ela corrigiu. — Ela cortou o último fio. Achou que ia me enfraquecer. Ela me… autorizou.
— Autorizou? — ele repetiu, como se estivesse provando a palavra.
Isadora caminhou pelo apartamento, pisando em cacos como se fossem f