“Algumas mulheres não reagem. Elas ajustam o jogo.”
O homem na cama se mexeu de novo, abrindo os olhos, confuso. Ele olhou para Isadora como se tentasse encontrar nela a mesma mulher de minutos atrás.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou, a voz rouca.
Isadora virou o rosto lentamente, como quem concede a alguém a honra de ser notado.
— Aconteceu — disse. — Mas não é problema seu.
Ele franziu a testa, tentando se sentar.
— Ei, calma… você tá… nervosa.
Isadora sorriu. Um sorriso curto, sem calor.
— Eu nunca estou nervosa — corrigiu. — Acho melhor se vestir e sair. Este quarto já cumpriu a função dele.
Ele abriu a boca para responder, mas ela já tinha se afastado, indo novamente em direção ao banheiro. O piso frio sob seus pés parecia adequado. A frieza combinava com o que estava se formando dentro dela.
Ela fechou a porta do banheiro e ligou a torneira. A água correu, mas Isadora não olhou para a pia, olhou para si no espelho.
Os olhos dela não tinham medo.
Tinham pressa.
A prisão de F