“Algumas ameaças perdem força quando encontram silêncio.”
A notícia chegou como chegam as coisas que arruínam planos: sem pedir licença, sem cerimônia, sem tempo para maquiagem.
O celular vibrou sobre os lençóis impecavelmente brancos, quebrando a quietude controlada da suíte. A luz da tela refletiu no mármore polido, fria e implacável. Um pequeno retângulo de realidade e a realidade nunca teve paciência com Isadora Vasconcelos.
Ela abriu os olhos devagar, como se o mundo pudesse esperar sua permissão para existir, mas não podia.
As cortinas de linho estavam entreabertas, deixando entrar a luz suave da cidade ainda adormecida. Nada piscava, nem gritava. Tudo ali era caro demais para ser indecente e vazio demais para ser íntimo. O ar carregava o cheiro discreto de um perfume masculino importado, misturado ao dela, cuidadosamente escolhido para agradar, nunca para ficar.
Ao lado, o homem mais velho dormia profundamente. Um braço repousava sobre o lençol como quem ocupa espaços por hábi