“Algumas mulheres não querem vencer o jogo. Querem decidir quem joga.”
— E pessoas como Clara… nunca sobrevivem quando deixam de ser admiradas.
Eu deixei a frase pairar, porque ela precisava ser absorvida.
— Eu sempre fui a protegida — eu disse, sem traço de culpa. — A que conseguia tudo. A que errava e ainda assim era compreendida. Eu sabia exatamente o que dizer, quando chorar, quando parecer frágil. Meus pais acreditavam em mim porque eu fazia questão de ser a versão que eles queriam enxergar.
Dei um gole no copo, tranquila.
— Clara… Clara sempre acatou. Sempre defendeu. Sempre se colocou na frente para justificar meus excessos como se fossem acidentes, como se eu não soubesse exatamente o que estava fazendo. Ela foi criada para ser correta. Eu, para ser irresistível.
Inclinei a cabeça, deixando o sorriso crescer um pouco.
— Eu nunca precisei apanhar para aprender controle. Eu ludibriava. Eu desviava. Eu saía ilesa. E Clara limpava os cacos depois. Sempre limpou.
Deixei o silêncio