“Algumas mulheres não competem por amor. Competem por lugar.”
Isadora Vasconcelos
— O que você quer, Isadora?
Finalmente a pergunta que estava esperando.
Eu encostei o cotovelo no balcão, aproximando meu rosto do dela o suficiente para que fosse íntimo, mas não suficiente para ser confortável.
— Eu quero que você entenda a verdade — eu disse, suave. — E eu quero que você perceba… o tamanho da humilhação que estão enfiando na sua garganta e chamando de “superação”.
Annelise soltou uma risada curta, mas não havia humor ali.
— Eu não sou humilhada por ninguém.
— Você é. — respondi, sem alterar o tom. — Por uma mulher que finge ser o que não é, que se veste com a sua dor como se fosse um vestido bonito.
Ela franziu a testa.
— Clara não finge ser ninguém. Eu ainda não entendi.
Eu ergui a sobrancelha, como se aquela fosse a coisa mais ingênua que eu já tinha ouvido.
— Nossa pensei que fosse mais inteligente. — disse debochada. — Quem entrou na igreja e casou com Lucca Ferraro, não fui eu,