O café da manhã já se dissolvia quando Augusto se levantou, ajeitando o paletó com um gesto automático.
— Fernando, vamos ao escritório — disse, num tom casual demais para quem já estava com a decisão tomada. — Temos alguns assuntos para alinhar.
Fernando compreendeu de imediato. Ergueu-se com a mesma naturalidade estudada.
— Claro. Já estava na hora mesmo.
Gustavo fez menção de se levantar, mas Fernando pousou a mão em seu ombro, firme, contido.
— Não. Fique — disse, baixo. — Depois conversamos.
Gustavo assentiu, contrariando o impulso evidente de acompanhar o pai.
Augusto voltou-se para Helena.
— Não demoro — avisou. — Aproveite a manhã.
Helena apenas assentiu, sentindo que havia mais naquela saída do que simples compromissos administrativos.
No caminho até o escritório interno, o silêncio se manteve por alguns segundos — pesado, calculado.
Foi Augusto quem o quebrou.
— Estou inquieto — disse, sem rodeios. — Há movimento demais ao nosso redor.
Fernando caminhava ao lado