Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 7
Loke Farias Eu observava Lara encolhida no sofá, ainda com os olhos vermelhos e o corpo tremendo levemente, e algo dentro de mim queimava. Uma raiva profunda, misturada com uma necessidade feroz de protegê-la. Ver aquela mulher forte ser destruída pela própria família me dava vontade de quebrar tudo. Alex estava ao lado dela, com a mão nas costas dela, mas eu sabia que ele também estava prestes a explodir. — Governanta — chamei, a voz mais dura do que pretendia. A senhora apareceu rapidamente na sala. — Quero que você providencie tudo novo para a Lara. Roupas completas: vestidos, blusas, calças, lingerie, tudo do gosto dela. Sapatos, bolsas. Um laptop novo, do melhor que tiver. Cremes, perfumes, maquiagem, produtos de beleza... Tudo que foi destruído naquelas caixas. Quero entrega ainda hoje. A governanta assentiu, sem hesitar. — Sim, senhor. Vou cuidar disso imediatamente. Lara levantou o olhar para mim, os olhos brilhando com lágrimas novas. — Loke... vocês não precisam... — Precisamos sim — respondi, me aproximando e me ajoelhando na frente dela. Segurei suas mãos frias entre as minhas, sentindo o tremor passar para mim. — Você não vai mais usar nada que venha daquela casa. Nada que carregue o cheiro da humilhação deles. Entendeu? Ela mordeu o lábio inferior, lutando contra o choro. Eu quis puxá-la para o meu peito e nunca mais soltar. Alex se levantou, já com o celular na mão. — Agora vamos resolver o resto. — Ele discou o número do nosso advogado principal. Colocou no viva-voz para que eu pudesse participar. — Dr. Mendes — disse Alex, a voz cortante como uma lâmina. — Temos uma situação urgente. A Lara Oliveira foi colocada como fiadora de uma dívida milionária pelo pai dela, Paulo Oliveira. Ele usou o nome dela para salvar a empresa da família. Queremos que você tome conta disso agora. Sentei ao lado de Lara, passando o braço ao redor dos ombros dela. Senti seu corpo se apoiar no meu, pequeno e vulnerável, e isso só aumentou a fúria dentro de mim. — Boa tarde, senhores — respondeu o advogado. — Vou precisar de todos os detalhes. — Investigue tudo — ordenei, a voz baixa mas carregada de autoridade. — Se o Paulo usou o nome da Lara para tirar a empresa do buraco, então ela é a dona legal dessa porra toda. Quero que você descubra cada documento, cada assinatura, cada cláusula. Vire isso a favor dela. Alex se inclinou para frente, os olhos escuros brilhando de raiva. — E prepare o terreno para a vingança. Quero que o Paulo Oliveira perca tudo que ele mais valoriza. A empresa, o status, o controle sobre a Yara. Descubra como destruir ele financeiramente e moralmente. A irmã dela também. Aquela vadia grávida que destruiu o casamento. Quero os dois na lama. — Entendido — respondeu o Dr. Mendes. — Vou colocar a equipe inteira nisso. Em 48 horas tenho um relatório completo. Desliguei a chamada e soltei o ar devagar. Meu peito ainda queimava. Ver Lara tão destruída me fazia sentir impotente, e eu odiava essa sensação. Foi nesse momento que o elevador apitou. As portas se abriram e Max entrou como um furacão, o rosto vermelho de fúria. Nosso irmão mais velho, sempre tão controlado, agora parecia prestes a perder a cabeça. — Que porra é essa que vocês fizeram?! — berrou ele, apontando o dedo para nós dois. — Bateram no meu filho? No André? Vocês enlouqueceram?! Eu me levantei devagar, sentindo cada músculo do corpo tensionar. Alex fez o mesmo, posicionando-se entre Max e Lara. — Seu filho bateu nela, Max — respondi, a voz gelada. — Na nossa frente. Na nossa casa. Ele acertou um tapa na cara dela com toda força. Depois de ela ter sido espancada pelo próprio pai. E você vem aqui defender ele? Max soltou uma risada amarga, andando de um lado para o outro. — Vocês sempre foram assim! Acham que podem fazer o que quiserem! O André me contou a versão dele. Disse que ela humilhou ele na igreja, fugiu com vocês dois como uma vadia qualquer. E vocês ainda batem nele? Meu próprio sangue! Senti a raiva subir como lava. Dei um passo à frente, os punhos cerrados ao lado do corpo. — Seu filho é um traidor covarde — rosnei. — Traiu a Lara com a irmã dela, engravidou a garota, e ainda teve coragem de vir aqui agredi-la. Se você tivesse criado ele direito, talvez ele não fosse um merda. Alex se colocou ao meu lado, a voz perigosa: — A Lara não destruiu nada. Ela foi forçada a casar mesmo depois de descobrir a traição. Quando a Yara invadiu a igreja fazendo escândalo, ela correu para salvar o pouco que restava dela. E você vem aqui defender esse lixo? Max apontou o dedo para o meu peito, o rosto contorcido de ódio. — Vocês dois vão se arrepender disso. Vou apoiar meu filho até o fim. Essa briga vai rachar a família inteira. E por causa de uma mulher que mal conhecem! Eu segurei o braço dele com força, impedindo que ele se aproximasse mais de Lara. — Ela não é “uma mulher qualquer”. Ela é nossa. E se você ou seu filho encostarem nela novamente, não vai ser só uma surra. Entendeu? Houve um silêncio pesado. Max puxou o braço com raiva, respirando forte. — Vocês escolheram o lado errado. Ele se virou para ir embora. Antes que entrasse no elevador, eu falei uma última vez, a voz baixa e carregada de aviso: — Max. Fica esperto com o Paulo Oliveira. Aquele homem é uma cobra peçonhenta. Ele jogou a própria filha na lama para salvar a pele. Se você acha que ele vai hesitar em te destruir também, você é mais idiota do que eu pensava. Max parou por um segundo, mas não respondeu. Entrou no elevador e as portas se fecharam. O silêncio que ficou foi denso. Voltei para o sofá e me sentei ao lado de Lara, puxando-a para o meu colo. Ela se aninhou contra meu peito, o corpo ainda tremendo. — Você está bem? — murmurei contra os cabelos dela, sentindo o cheiro doce misturado ao sal das lágrimas. — Estou com medo... — sussurrou ela. — De tudo que está acontecendo. Da vingança, da família de vocês... Alex se sentou do outro lado, segurando a mão dela. — Medo é normal, princesa. Mas a gente não vai deixar nada te atingir novamente. Nem seu pai. Nem o André. Nem o Max. Eu beijei o topo da cabeça dela, sentindo uma determinação feroz crescer no peito. Lara tinha sido quebrada por gente que deveria amá-la. Agora, ela era nossa responsabilidade. Nossa para proteger. Nossa para reconstruir. E eu faria qualquer coisa — qualquer coisa mesmo — para garantir que ninguém mais a machucasse. Enquanto a cidade seguia seu ritmo lá fora, eu apertei o abraço. Pela primeira vez em muito tempo, eu sentia que estava lutando por algo que realmente importava. Por ela.






