A floresta rasgava os pulmões dela.
Serena corria, mas o corpo não respondia como devia. As pernas pesadas, o ar entrando curto, quente demais. O vestido colava na pele encharcada de suor, os cabelos grudavam no rosto. Ela não estava em forma de loba. Estava humana. Vulnerável. Lenta.
— Quase lá, amor… — Jackson corria ao lado dela, a voz firme demais para a situação. — Aguenta. A gente vai conseguir alcançar a praia. Estamos quase chegando.
A palavra quase doeu.
Serena tropeçou. O mundo girou por um segundo e, quando se apoiou numa árvore para não cair, a dor veio — rasgando de dentro para fora.
Ela gritou.
As mãos foram ao ventre.
— Jack… — a voz saiu quebrada. — Eu não vou conseguir.
Outra contração. Mais forte. Mais baixa. O corpo se dobrando sem pedir permissão.
— Aaaaaah!
Algo quente escorreu entre suas pernas.
Sangue.
O pânico não precisou de palavras.
O filho dela estava nascendo.
Ali.
Agora.
No meio da fuga.
— Ele tá vindo… — Serena arfou, os olhos marejados. — Jack… eu tô se