POV: VANESSA
A quinta-feira amanheceu fria em Tires. A luz cinzenta e pálida que entrava pela fresta alta da cela 4 parecia cortar o ar úmido do isolamento como uma lâmina cega. Eu não tinha dormido. Passei a noite inteira em claro, sentindo cada centímetro da minha pele queimar com o toque áspero do concreto e a lembrança degradante da segunda-feira. A minha dignidade tinha sido reduzida a cinzas, mas o meu cérebro operava com uma clareza psicótica que eu nunca experimentara antes. O ódio