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Capítulo 8: A cidade dos mercadores

A figura mascarada desapareceu do Jardim das Flores antes mesmo que qualquer um deles pudesse alcançá-la. O silêncio voltou a ocupar o ambiente, mas dessa vez era diferente. Não existia mais aquela sensação de algo invisível observando todos os seus movimentos. Agora o problema tinha um rosto, um objetivo e um grupo por trás dele.

Eles não estavam enfrentando uma maldição.

Estavam enfrentando pessoas.

Na manhã seguinte, Sakura, Rintaro e Aoi caminhavam por uma estrada de terra enquanto o sol iluminava as montanhas ao redor. O clima estava mais leve do que nos últimos dias, embora a preocupação ainda permanecesse presente.

Sakura observava a paisagem encantada.

"É estranho."

Rintaro a olhou.

"O quê?"

"Eu já me acostumei."

Ele ergueu uma sobrancelha.

"Com o Japão feudal?"

Ela sorriu.

"Mais ou menos."

"Isso é bom ou ruim?"

"Nem eu sei."

Aoi soltou uma pequena risada.

"Normalmente as pessoas demorariam mais."

Sakura pensou por alguns segundos.

"Talvez seja porque vocês estão comigo."

Assim que falou, percebeu que tinha dito aquilo naturalmente.

Rintaro desviou o olhar.

Aoi abriu um pequeno sorriso.

E Sakura ficou levemente sem graça.

Para sua sorte, a estrada começou a ficar movimentada.

Várias carroças passavam carregando frutas, tecidos e mercadorias.

Crianças corriam pela estrada.

Comerciantes conversavam animadamente.

Ao longe, enormes muralhas de madeira cercavam uma cidade.

Os olhos de Sakura brilharam.

"Existe uma cidade aqui?"

Rintaro a encarou.

"Claro que existe."

"Você nunca me contou."

"Você nunca perguntou."

Ela revirou os olhos.

"Você é impossível."

"Obrigado."

"Não era um elogio."

"Eu sei."

Aoi balançou a cabeça, divertida.

"Vocês brigam demais."

Sakura apontou para Rintaro.

"Porque ele provoca."

"Porque você reage."

Ela abriu a boca para responder, mas acabou rindo.

Poucos minutos depois, atravessaram os portões da cidade.

Sakura imediatamente ficou encantada.

As ruas eram enormes, cheias de bandeiras coloridas e barracas de comida. Artesãos trabalhavam madeira, crianças brincavam, músicos tocavam instrumentos e vendedores anunciavam seus produtos.

Era vivo.

Muito vivo.

Era a primeira vez que ela enxergava aquele mundo além dos perigos.

Ela abriu um sorriso enorme.

"É lindo."

Rintaro observou a reação dela.

"Sabia que você ia gostar."

Sakura parou na hora.

"Você sabia?"

Ele percebeu o que tinha dito e ficou sem graça.

"Era meio óbvio."

Ela sorriu discretamente.

"Mesmo assim."

Aoi percebeu a troca de olhares, mas não comentou nada.

Então se aproximou dos dois.

"Temos um problema."

Sakura voltou a ficar séria.

"Qual?"

A arqueira apontou para uma enorme placa no centro da praça.

Nela havia um desenho.

O desenho de Sakura.

Ela arregalou os olhos.

"Sou eu?!"

Rintaro imediatamente fechou a expressão.

Embaixo da ilustração havia uma frase:

'Procura-se a Portadora do Cristal das Quatro Almas.'

Sakura empalideceu.

"Quem fez isso?"

Aoi observou melhor.

"O Clã da Máscara Branca."

Sakura engoliu seco.

"Ótimo. Agora virei procurada."

Rintaro arrancou a placa da parede.

"Isso só piorou."

Mas, antes que pudessem sair dali, um homem vestido com roupas elegantes se aproximou.

Ele devia ter pouco mais de vinte anos e carregava uma espada presa à cintura.

Seu olhar parou em Sakura.

Depois em Rintaro.

Então sorriu.

"Finalmente encontrei vocês."

Os três imediatamente ficaram atentos.

Rintaro posicionou a mão sobre a espada.

"Quem é você?"

O rapaz levantou as mãos.

"Calma. Não sou inimigo."

Sakura observou com cuidado.

"Então por que estava nos procurando?"

Ele sorriu.

"Porque vocês estão atrasados."

Ela franziu a testa.

"Atrasados para quê?"

O rapaz apontou para um enorme castelo que podia ser visto acima da cidade.

"O senhor desta região convocou todos os caçadores de fragmentos."

Sakura arregalou os olhos.

"Existem outros?"

Ele assentiu.

"Muitos."

Aoi e Rintaro trocaram um olhar preocupado.

O rapaz continuou.

"Os ataques do Clã da Máscara Branca estão aumentando. Eles já roubaram vários fragmentos."

Sakura sentiu um aperto no estômago.

Aquilo era maior do que imaginava.

Muito maior.

Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela percebeu algo estranho.

Uma mulher passou ao lado de Rintaro.

Ela parou.

Olhou diretamente para ele.

E sorriu.

Um sorriso que parecia íntimo demais.

Sakura observou a cena.

A mulher se aproximou.

"Faz muito tempo, Rintaro."

Ele congelou.

Aoi também.

A mulher então desviou o olhar para Sakura.

Seu sorriso aumentou.

"Então essa é a garota nova."

Sakura sentiu uma pequena pontada de incômodo.

Não era raiva.

Mas definitivamente não era conforto.

A mulher cruzou os braços.

"Interessante."

Sakura olhou para Rintaro.

"Você conhece ela?"

Ele suspirou.

"Infelizmente."

A mulher riu.

"Que grosseria."

Então ela deu um passo à frente.

"Meu nome é Hana."

Ela sorriu para Sakura.

"Pode confiar em mim."

Só que, naquele instante, Aoi ficou séria.

Muito séria.

E aquilo foi suficiente para Sakura perceber uma coisa.

Talvez Hana fosse mais perigosa do que parecia.

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