Ponto de vista: Pamela
Sônia Alencar tomava café da manhã como quem preside uma reunião do conselho.
Cada mordida no croissant era medida. Cada gole no suco era calculado. Cada olhar para mim era uma avaliação silenciosa, uma pesagem na balança invisível que ela carregava dentro da bolsa de couro italiano.
Eu ainda não tinha sentado.
Fiquei de pé atrás da cadeira, os dedos cravados no encosto de madeira, me perguntando quantas horas de terapia seriam necessárias para apagar os próximos trinta m