Ponto de vista: PamelaSônia Alencar tomava café da manhã como quem preside uma reunião do conselho.Cada mordida no croissant era medida. Cada gole no suco era calculado. Cada olhar para mim era uma avaliação silenciosa, uma pesagem na balança invisível que ela carregava dentro da bolsa de couro italiano.Eu ainda não tinha sentado.Fiquei de pé atrás da cadeira, os dedos cravados no encosto de madeira, me perguntando quantas horas de terapia seriam necessárias para apagar os próximos trinta minutos da minha memória.— Pamela, querida, senta. — Sônia bateu na cadeira ao lado dela com a palma da mão. A aliança de diamante brilhou sob a luz do lustre. — Você parece tensa. Não dormiu bem?— Dormi muito bem, obrigada. — Sentei. Não ao lado dela. Do outro lado da mesa. O mais longe possível. — A cama de hóspedes é excelente.— Ah, mas você não deveria ficar no quarto de hóspedes. — Ela levou a mão ao peito, fingindo comoção. — Lucas, amor, você não vai deixar sua esposa dormir num quarto
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