Ponto de vista: Pamela
A noite foi um túnel sem fim.
Depois que a porta fechou atrás de Lucas, eu fiquei paralisada no meio da sala. As velas queimavam baixo — algumas já tinham apagado, outras tremulavam como se também estivessem chorando. O cheiro do salmão queimado no forno impregnava o ar. O vinho na taça estava morno, sem gás, abandonado.
Eu não me mexi.
Não sei quanto tempo fiquei ali. O relógio na parede marcava onze, depois meia-noite, depois uma da manhã. A cidade lá fora continuava br