A noite se arrastou como se cada minuto tivesse sido alongado de propósito.
Gabi não dormiu no começo.
Ficou sentada no sofá em frente a mim, a arma apoiada no colo, o dedo perto do gatilho, os olhos abertos demais para alguém que estava acordada há tanto tempo. De vez em quando murmurava alguma coisa baixa, frases soltas sobre o passado, sobre promessas que eu nunca tinha feito, sobre uma vida que só existia na cabeça dela.
Eu não respondia.
Continuava sentado na cadeira velha, as costas retas