Mundo de ficçãoIniciar sessãoAgir naturalmente estava sendo fácil nos primeiros minutos que cheguei ao Becker Bar, mesmo que todos já estivessem no local. O foco, no entanto, ficou em Luna, pois Adrian não a conhecia, e todos pareciam empolgados em comentar sobre o talento de Luna na confeitaria do Luna Café.
Por vários momentos, meus olhos não conseguiam se desgrudar de Adrian. Ele estava impecável em seu visual despojado, mas ainda assim havia um charme irresistível em sua forma despreocupada. A gravata e o paletó haviam sido esquecidos no encosto da cadeira, e os cabelos desalinhados caíam de maneira provocante sobre sua testa, como se desafiassem qualquer tentativa de contê-los. Cada gesto seu irradiava uma mistura de confiança e mistério; o olhar intenso parecia perfurar minha mente, e o sorriso — raro e perfeitamente calculado — tinha o poder de fazer o mundo ao redor desacelerar. Quando ele sorria, era impossível não notar; por instantes, todos pareciam desaparecer, restando apenas nós dois. Em vários momentos, nossos olhares se cruzaram, e eu sabia, sem sombra de dúvida, que ele também me estudava, avaliando cada reação minha. Tudo começou a ficar difícil quando Maya trouxe à tona as lembranças do ensino médio. Logo começaram a falar sobre festas, jogos, conversas e todas aquelas aventuras que eu tentava esconder na memória. A cada palavra, precisava fingir que nada me dizia respeito, apesar do calor que subia pelo meu corpo. Nenhum momento falavam do “antes de Adrian”, só do “a partir dele”. Como se as melhores lembranças realmente tivessem começado com ele. E, na verdade, eram. Precisava me manter calada, mas por dentro estava tão animada quanto aterrorizada. Karin decidiu não aparecer, e quando mandei uma mensagem — com meu celular que Eliot devolveu no início da noite — ela simplesmente me ignorou, dizendo que me esperava no consultório no dia seguinte. Ninguém ali poderia me salvar. — Cecília, é uma pena que não se lembre do dia em que invadimos a represa — disse Maya, enquanto todos comentavam sobre aquele dia, o dia em que tivemos que correr e nos esconder na mata até a polícia desistir de nos procurar. Era impossível esquecer, porque foi naquele dia que... — É uma pena mesmo que tenha se esquecido, Cecília — Adrian disse, e imediatamente meus sentidos se aguçaram. O tom da voz dele tinha aquele peso provocante, carregado de lembranças e intenções que me fizeram prender a respiração. — Foi nesse dia que nos beijamos pela primeira vez. Era impossível esquecer, porque foi naquele dia que... — É uma pena mesmo que tenha se esquecido, Cecília — Adrian disse, e imediatamente meus sentidos se aguçaram. O tom da voz dele tinha aquele peso provocante, carregado de lembranças e intenções que me fizeram prender a respiração. — Foi nesse dia que nos beijamos pela primeira vez. Droga! O que ele estava fazendo comigo? — Sério? — perguntou Leon, franzindo o cenho — achei que tivesse sido na festa do George. — Não, lembro muito bem — Adrian respondeu, os olhos fixos nos meus, medindo cada reação minha — nos escondemos atrás de uma rocha, e Cecília me beijou. Queria completar a frase lembrando que, depois, ele me chamou de irritante e me deixou ali, sozinha. Mas não podia. Não iria me entregar assim. — Bom, dizem que o primeiro beijo não é o melhor, né? — murmurei, mantendo o olhar desafiador, tentando esconder o calor que percorria minha pele — deve ser por isso que não me lembro. Adrian, ao contrário do que imaginei, não mostrou raiva. Pelo contrário, repuxou aquele sorriso provocante, o sorriso que sempre conseguia me desarmar, e continuou me desafiando, sem precisar dizer uma palavra a mais. — Tenho certeza de que você gostou de todos os nossos beijos, Cecília.






