A MANHÃ SEM ROTEIRO
O quarto da ala leste tava um gelo quando eu abri os olhos.
Seis e doze no visor do ar-condicionado.
Vincent tava virado pro outro lado, o peito subindo e descendo devagar, pesado, afundado no travesseiro de plumas.
O curativo no supercílio — que eu mesma troquei na noite anterior — ainda marcava ali, quase escondido pela sombra.
Não fiquei na cama revendo a madrugada.
Também não puxei o lençol pra cobrir o peito num surto de pudor que não tinha nada a ver com o