Desejo e consciência...
Desejo e consciência…
Lizandra
Caminhei de um lado para o outro dentro do quarto, sentindo o peito apertado, a cabeça pesada demais para descansar. A imagem da Viviane tocando o Fernando não saía da minha mente. A intimidade, a forma como ela se sentia à vontade. Tudo aquilo me corroía por dentro. Ciúmes. A palavra ecoava, incômoda, porque eu sabia que não deveria sentir nada disso.
Fui até a janela e afastei a cortina com cuidado, e fiquei observando. Meu coração acelerou quando alguns minutos depois vi Viviane entrando no carro às pressas. Não houve despedidas, não houve risos. O carro arrancou rápido e desapareceu na noite. Então esperei. O silêncio da casa se impôs e não houve nenhum som de passos no corredor. Nenhuma porta batendo.
Esperei mais um tempo mas a inquietação venceu o bom senso. Abri a porta do meu quarto devagar e saí, pisando com cautela. Do alto da escada, ouvi o som seco de vidro quebrando. O barulho ecoou pela casa e eu congelei no lugar. Engoli em seco, debate