Mia
O envelope pardo sobre a mesa do La Cour des Océans parecia pulsar com a força de um segredo guardado por três décadas. Meus dedos tocaram o papel, sentindo a textura levemente áspera, um contraste gritante com o luxo estéril que nos cercava. Julian Thorne me observava com uma intensidade que beirava o desespero. Ele não tocou na comida; ele parecia ter esquecido como se respira.
Com as mãos trêmulas, abri o lacre. O conteúdo era um soco no estômago. Retirei uma folha de papel de seda, amarelada, com a caligrafia que eu conhecia tão bem — a letra elegante de minha mãe. Mas as palavras... as palavras eram veneno.
Eu comecei a ler em silêncio, sentindo o mundo ao redor desaparecer.
"Julian, por favor, não me procure mais. Eu descobri que o que sentia por você era apenas o deslumbramento de uma vida que não me pertence. Eu encontrei o verdadeiro amor da minha vida, um homem que entende de onde eu vim e para onde quero ir. Estamos indo embora juntos. Não tente me seguir. Adeus