Mia
O relógio de parede no andar da diretoria parecia zombar da minha ansiedade. Cada tique-taque ecoava pelo corredor silencioso como um martelo batendo em um prego. Eu mal conseguia focar nos documentos à minha frente; as letras dançavam e se transformavam no rosto de Julian Thorne, ou na expressão gélida de Lady Hale.
A porta da sala do conselho finalmente se abriu com um som pesado de madeira e metal. O primeiro a sair foi Arthur Hale. Ele passou pela minha mesa sem dizer uma palavra, mas a aura de poder que ele exalava estava sutilmente alterada — não era mais apenas autoridade, era uma espécie de reconhecimento silencioso e perturbador. Logo atrás dele, os outros conselheiros saíram em grupos, sussurrando entre si, lançando olhares furtivos em minha direção que variavam entre a desconfiança absoluta e uma curiosidade voraz.
Elijah foi o último a sair.
Ele parecia ter envelhecido cinco anos em duas horas. Sua gravata estava levemente frouxa, e ele passou a mão pelo cabel