Mia
Eu abri os olhos antes do alarme, o que era inédito já que todos os dias eu travo uma guerra silenciosa com o alarme. A luz cinzenta da madrugada da cidade mal filtrava pelas cortinas da cobertura. Eu estava exausta, mas meu corpo estava em estado de alerta máximo. A tontura havia passado, mas a ansiedade era uma náusea constante.
Eu me virei na cama, e a visão me atingiu: Elijah não estava ao meu lado, ele não tinha dormido.
Ele estava sentado na poltrona perto da janela, completamente vestido no que parecia ser o mesmo suéter que usou na noite anterior, mas com o blazer jogado no chão. Seus olhos estavam fixos na escuridão, e ele segurava uma xícara de café que parecia frio. Ele parecia um guardião, ou um prisioneiro.
— Elijah? — minha voz saiu como um sussurro seco.
Ele se virou, e o cansaço em seu rosto era profundo, sublinhado pela tensão de dois dias de guerra com a mãe.
— Bom dia, Furacão — ele disse, a voz baixa. — Você está melhor?
— Um pouco. Estou com um medo terrível,