O CEO Recluso e a Babá dos Trigêmeos
O CEO Recluso e a Babá dos Trigêmeos
Por: Jade Aragão
Prólogo

Elena Hart

A primeira coisa que perdi naquela noite foi um dos meus sapatos; a segunda foi o resto da minha dignidade. Segurei a barra do vestido de noiva com as duas mãos e corri o mais rápido que minhas pernas permitiam, sentindo o tecido pesado arrastar atrás de mim enquanto atravessava a rua sem me importar com os carros, as buzinas ou os olhares assustados das pessoas.

— Elena! — ouvi alguém gritar atrás de mim.

Meu coração disparou, mas não olhei para trás, pois sabia que perderia a coragem se o fizesse. Meu véu havia se soltado parcialmente do cabelo e balançava atrás da minha cabeça como uma bandeira branca, embora eu estivesse longe de me render. Como o outro salto ameaçava escapar do meu pé, simplesmente o tirei e o joguei para o lado, correndo descalça pelas ruas — uma noiva com a maquiagem borrada pelas lágrimas e um vestido que provavelmente custara mais do que o primeiro carro que eu havia comprado.

Que cena ridícula. Se alguém tivesse me contado algumas horas antes que eu terminaria a noite correndo como uma fugitiva, eu teria rido. Na verdade, talvez ainda estivesse rindo se não estivesse tão apavorada, sentindo meu peito doer e minha garganta queimar. Eu precisava chegar a algum lugar seguro, qualquer lugar onde pudesse desaparecer.

— Elena! Volte aqui!

Fechei os olhos por um segundo. Eu não voltaria, não importava o que acontecesse.

Continuei correndo até avistar a fachada iluminada de um enorme hotel do outro lado da rua. Era perfeito: um lugar cheio de pessoas, câmeras, funcionários e segurança onde eu talvez conseguisse despistá-los. Atravessei a porta giratória quase tropeçando na cauda do vestido.

— Senhora, você está bem? — um funcionário perguntou, arregalando os olhos.

— Estou ótima — menti, ofegante, embora não estivesse nem de longe.

Olhei para trás através do vidro e, graças a Deus, eles ainda não haviam entrado. Corri até o elevador mais próximo e apertei o botão repetidamente.

— Vamos... vamos…

As portas finalmente se abriram e eu entrei, apertando qualquer andar e encostando as costas na parede para tentar recuperar o fôlego. Foi quando percebi minhas mãos tremendo e caí na real: eu havia realmente fugido.

— Você é uma covarde, Elena — murmurei para mim mesma, sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto. — Uma covarde estúpida.

As portas se abriram no andar sorteado, revelando que eu não estava sozinha. Cinco homens vestindo ternos impecáveis saíram do elevador, e, no meio deles, havia um homem que parecia ter sido arrancado diretamente de uma capa de revista. Ele era alto, largo, tinha os cabelos escuros perfeitamente penteados, vestia um terno preto que provavelmente custava mais do que todos os meus móveis juntos e sustentava um olhar tão frio que, por um instante, esqueci completamente que estava fugindo.

Ele parou diante de mim, percorrendo os olhos pelo meu vestido, meus pés descalços e finalmente meu rosto, antes de erguer uma sobrancelha.

— Posso ajudar?

— Ela entrou aqui! — ouvi vozes atrás de mim.

Meu sangue gelou. Sem pensar, avancei e agarrei o braço daquele desconhecido.

— Por favor.

Ele olhou para minha mão em seu braço e depois para o meu rosto:

— Por favor, o quê?

— Finja que me conhece.

O silêncio reinou enquanto os homens que o acompanhavam trocavam olhares.

— Você costuma abordar estranhos vestida de noiva ou eu tive sorte hoje? — ele perguntou, completamente impassível.

— Eu não estou brincando! — minha voz saiu mais alta do que deveria.

As portas do elevador se abriram novamente e dois homens apareceram no corredor. Meu coração quase saiu pela boca.

— Ali!

Agarrei o paletó do desconhecido em desespero.

— Eu imploro.

Ele me encarou por alguns segundos antes de, para minha surpresa, passar um braço pela minha cintura e me puxar para perto. Meu corpo inteiro ficou rígido.

— Sorria — ele murmurou.

— O quê?

— Se quer que eu ajude você, tente parecer menos apavorada.

Tentei obedecer, resultando provavelmente no sorriso mais horrível da minha vida.

Os homens se aproximaram.

— Senhor Thorne — um deles cumprimentou, parando diante de nós. — Desculpe incomodá-lo. Estamos procurando Elena Hart.

Meu sangue gelou outra vez. Alexander olhou para mim e depois voltou os olhos para o homem.

— E por que estão procurando por ela?

O homem apontou diretamente para mim:

— Porque é ela.

Não havia como negar nem fingir que não me conheciam, eu estava totalmente encurralada. Alexander percebeu a situação.

— Ela está fugindo de vocês?

— Isso é um assunto de família, senhor Thorne.

Ele me observou por um instante antes de responder:

— Ela parece estar bastante determinada a não participar desse assunto.

— O senhor não entende.

— Talvez não — a voz dele permaneceu assustadoramente calma. — Mas entendo quando alguém está com medo.

O homem deu um passo à frente:

— Precisamos levá-la de volta.

Alexander se colocou discretamente entre nós:

— Não.

— Senhor? — o homem piscou, surpreso.

— Vocês ouviram.

Um silêncio pesado tomou conta do corredor.

— Ela pertence à família Hart. O senhor não pode simplesmente…

— Posso fazer o que quiser dentro do meu hotel — ele interrompeu, erguendo o queixo na direção dos seguranças que se aproximavam. — Acompanhem os cavalheiros até a saída.

— Isso não acabou, Elena! — um deles gritou enquanto era afastado.

Meu corpo inteiro estremeceu. Alexander esperou até eles desaparecerem para só então se virar para mim.

— Você sempre causa esse tipo de confusão?

— Não — engoli em seco.

— Tem certeza? — ele arqueou uma sobrancelha.

Olhei para meu vestido rasgado, meus pés descalços e o rastro de lágrimas no meu rosto.

— Hoje é uma exceção.

Pela primeira vez, um pequeno sorriso apareceu no canto de sua boca.

— Qual é o seu nome?

— Elena.

— Elena o quê?

— Hart — hesitei antes de responder.

— Certo, Elena Hart. Por que aqueles homens estão atrás de você?

— Eu não posso contar — respondi, desviando o olhar.

— Não pode ou não quer?

— As duas coisas.

Ele soltou uma risada baixa, sem humor:

— Você é sempre tão misteriosa?

— Só quando estou fugindo.

Ele me encarou por alguns segundos:

— E para onde está indo?

Olhei para as portas do hotel e depois de volta para ele.

— Para longe daqui.

— Isso não é um lugar.

— Para mim, é — dei um passo para trás. — Obrigada por me ajudar.

— Não agradeça ainda.

Franzi a testa:

— Por quê?

— Porque, se aqueles homens voltarem, talvez eu não consiga ajudar você uma segunda vez — disse Alexander, aproximando-se um pouco.

— Então espero não precisar.

Virei-me para ir embora, mas parei quando ele me chamou:

— Elena.

Olhei por cima do ombro e o encontrei me encarando com uma expressão impossível de decifrar.

— Se estiver realmente fugindo de alguém, não confie em qualquer pessoa.

— Inclusive em você?

Um sorriso de canto surgiu em seus lábios:

— Principalmente em mim.

Continuei andando sem olhar para trás, sem fazer ideia de que aquele homem mudaria completamente a minha vida, de que voltaria a encontrá-lo ou de que, meses depois, estaria morando sob o mesmo teto que Alexander Thorne. Naquela noite, eu só sabia de uma coisa: precisava fugir e não podia voltar.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
capítulo anteriorcapítulo siguiente
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP