Mundo de ficçãoIniciar sessãoElena Hart
Eu estava começando a acreditar que a parte mais difícil daquele emprego não eram os bebês. Era Alexander. Não que ele fizesse alguma coisa de propósito; na verdade, esse era justamente o problema. Ele conseguia me deixar extremamente nervosa apenas existindo perto de mim. Naquela manhã, encontrei Olivia no quarto dos bebês. Ela estava deitada no berço, bem acordada e mexendo os pequenos braços enquanto observava o móbile colorido acima dela. Aproximei-me devagar e me inclinei sobre a grade. — Bom dia, pequena — cumprimentei baixinho. Os olhos dela se moveram devagar até encontrarem os meus. Sorri com o contato. — Você dormiu bem? Ela respondeu com um pequeno som manhoso, agitando as pernas debaixo da manta leve. — Vou considerar isso um sim — murmurei. Estendi um dedo entre as grades do berço e ela imediatamente fechou a mão minúscula ao redor dele. Meu coração apertou no peito. Talvez aquilo fosse o mais próximo de uma conversa que eu conseguiria ter com ela por enquanto e, estranhamente, eu gostava do silêncio cúmplice. Na hora do almoço, para minha surpresa, Alexander apareceu em casa. — Você voltou cedo — observei, encostando na bancada e cruzando os braços. — Cancelei duas reuniões — informou ele, tirando o terno. — Por quê? Ele olhou para o trio nos berços. — Eles estão acordados. Pisquei, um tanto surpresa. — E isso é motivo suficiente para cancelar duas reuniões? — Para mim, sim — respondeu de forma simples. Meu coração aqueceu com a declaração. Alexander se aproximou dos berços e ficou observando os três por um momento: Oliver agitava as pernas sem parar, Olivia segurava a ponta do próprio cobertor e Olive simplesmente dormia serena. Ele se abaixou diante deles e tocou suavemente a pequena mão de Olivia. — Estão tranquilos hoje? — perguntou ele. — Por enquanto — respondi. — Isso significa que posso esperar problemas? — Com certeza — ri fraco. Ele sorriu de canto. Fiquei observando a interação. Havia algo naquela cena que apertava meu peito de um jeito bom; Alexander podia ser frio, arrogante e insuportável na maior parte do tempo, mas amava os filhos acima de tudo. Isso era impossível de negar. — Elena? — ergueu ele o olhar. — Sim? — Você vem comigo. — Para onde? — perguntei, curiosa. — Vou levá-los para tomar ar — disse ele, ajeitando as mantas. — Os três? — Os três. Olhei para os bebês e depois para ele. — Você enlouqueceu. — Provavelmente — admitiu ele. No fim da tarde, estávamos no jardim particular da cobertura. Os três bebês tinham sido acomodados em um carrinho triplo, cada um enrolado em uma manta de cor diferente, enquanto Alexander caminhava calmamente ao meu lado. — Eles parecem tão pequenos — murmurei, observando-os. — São pequenos — concordou ele. — Às vezes ainda parece estranho pensar que são trigêmeos. Ele me olhou de lado. — Você se acostumou? — Estou tentando — confessei. — É muita coisa para uma pessoa só. Alexander ficou em silêncio por alguns instantes, acompanhando meus passos. — Por isso você está aqui — disse ele, finalmente. Meu coração deu uma pequena acelerada no peito. Eu não sabia se ele estava falando da rotina pesada dos bebês ou de mim, viva na rotina dele. Naquela noite, depois que os três finalmente dormiram, fui até a cozinha pegar água. Alexander já estava lá, encostado na bancada de mármore. — Você está começando a achar que essa cozinha é minha? — brinquei, pegando um copo. — É minha — rebateu ele com a voz grave e pausada. — Tecnicamente, eu também moro aqui. — Ainda está tentando argumentar? — Sempre. Ele sorriu de canto. Aproximei-me da jarra para encher meu copo. — Hoje foi um bom dia — comentei. — Foi. — Eles pareceram felizes. — Pareceram — concordou ele. Ficamos em silêncio por alguns segundos, ouvindo apenas o murmúrio da noite. Então, Alexander deu um passo firme na minha direção. — Eles gostam de você. — Eu gosto deles — respondi. — E isso é um problema. Franzi a testa, sem compreender. — Por quê? Alexander demorou alguns segundos para responder, o olhar ficando denso: — Porque pessoas costumam ir embora. Meu coração apertou ao entender o peso real daquelas palavras; aquilo não era sobre mim, era sobre tudo o que ele já tinha perdido. — Eu não pretendo ir embora — assegurei. Ele me encarou no fundo dos olhos. — Não faça promessas que não sabe se poderá cumprir. — Não estou fazendo uma promessa — dei um passo em sua direção, sustentando o olhar dele. — Estou dizendo o que eu quero. Ele não respondeu, apenas continuou me olhando fixamente. Naquele momento, tive a estranha sensação de que estávamos falando de muito mais do que apenas os bebês. Na manhã seguinte, encontrei um envelope sobre a mesa da cozinha com meu nome escrito nele. Abri e vi que era meu primeiro salário. Fiquei olhando para o valor por alguns segundos; era muito mais do que eu esperava. — Algum problema? — a voz dele soou perto. Virei-me e vi Alexander parado atrás de mim. — Isso está errado — mostrei o documento. — Não está. — É muito. — Você trabalha muito. — Ainda assim... — Você merece — disse ele com firmeza. Aquelas duas palavras me atingiram em cheio. Merecer. Eu não ouvia aquilo havia tanto tempo. Guardei o envelope na bolsa. — Obrigada. Alexander assentiu. Quando tentou passar por mim no espaço estreito entre a mesa e a bancada, nossos braços se tocaram. Foi apenas um toque breve e acidental, mas senti um arrepio percorrer meu corpo inteiro. Ele também parou o movimento. Por um instante, ficamos próximos demais, sentindo a respiração um do outro, e os olhos dele encontraram os meus. Nenhum de nós se moveu. Então, um choro agudo ecoou pelo corredor. Nós dois nos afastamos imediatamente, quebrando o transe. Alexander soltou uma risada baixa e balançou a cabeça. — Parece que eles têm um péssimo timing. — Talvez tenham — concordei, tentando disfarçar o nervosismo palpável. Ele caminhou em direção ao quarto dos bebês e eu o acompanhei de perto. Mas, enquanto seguia seus passos, uma certeza incômoda e inevitável começou a se formar dentro de mim: eu estava me apaixonando por Alexander Thorne. E isso era uma péssima ideia.






