Mundo ficciónIniciar sesiónElena Hart
Cinco meses. Fazia cinco meses desde a noite em que eu havia corrido pelas ruas vestida de noiva, cinco meses desde que abandonei Dennis no altar e cinco meses desde que conheci um homem que eu acreditava que jamais voltaria a ver: Alexander Thorne. Por alguma razão, eu ainda me lembrava dele, talvez porque, naquela noite, quando todo o meu mundo estava desmoronando, ele tinha sido a única pessoa que não tentou me convencer a voltar. Ele simplesmente mandou que eu corresse. Depois disso, nunca mais ouvi falar dele até aquele dia. Mas, antes que Alexander Thorne voltasse à minha vida, eu precisei aprender a viver com uma ausência muito maior: a do meu filho. David. Meu pequeno David. Ainda era difícil pensar nele sem sentir o peito apertar dolorosamente. Às vezes, eu acordava no meio da noite com a sensação absurda de que havia esquecido alguma coisa e logo me lembrava de que não havia nada para esquecer. Não havia bebê para alimentar, não havia choro no quarto ao lado, não havia pequenas roupas espalhadas pela casa. Só silêncio, e aquele silêncio parecia me perseguir por todos os lugares. — Elena! — chamou Anita, surgindo no quarto. Puxei o cobertor sobre a cabeça, resmungando: — Não. — Sua entrevista é hoje — lembrou ela, aproximando-se da cama. — Cancelei mentalmente. Anita arrancou o cobertor de cima de mim sem nenhuma piedade. — Você não pode cancelar mentalmente uma entrevista. — Posso sim — me sentei devagar, encarando-a. — Acabei de fazer. — Levanta! — Não quero. Ela colocou as mãos na cintura, fitando-me com firmeza. — Você precisa desse emprego. Fechei os olhos por um segundo. Ela estava certa: eu precisava de dinheiro, precisava recomeçar e precisava parar de passar os dias deitada naquela cama, olhando para o teto e pensando no filho que não estava mais ali. — Está bem — murmurei, me levantando. — Mas, se eu morrer de nervoso, a culpa é sua. — Aceito a responsabilidade — sorriu ela, satisfeita. (...) Duas horas depois, eu estava diante do prédio da Thorne Enterprise. Era um edifício gigantesco de vidros, mármore e funcionários entrando e saindo com passos apressados. Segundo Anita, aquela estrutura valia mais de seis milhões de libras. Respirei fundo, ajeitando a saia lápis que Anita praticamente me obrigara a vestir, e entrei no local. O saguão estava lotado; pessoas caminhavam de um lado para o outro, telefones tocavam sem parar e funcionários carregavam pilhas de documentos. De repente, uma porta se abriu violentamente logo à frente. — Eu nunca mais trabalho para aquele homem! — gritou uma mulher baixinha, saindo furiosa. Um homem alto e musculoso veio atrás dela, tentando acalmá-la: — Verônica, espera! — Minha mãe morreu e aquele desgraçado começou a rir! — rebateu ela, apontando para trás. — Você acha que eu vou continuar alimentando a filha dele?! Parei por um instante ao ouvir aquilo. Filha? — A bebê precisa de você! — insistiu o homem. — Então procure outra ama de leite! — bateu ela a porta de vidro, desaparecendo na rua. O homem ficou parado no saguão, passando a mão pelo rosto com frustração. Fingi não ter ouvido nada, embora ficasse claro que havia alguma coisa muito errada naquele lugar. Caminhei até a recepção. — Olá. Sou Elena Hart — apresentei-me. — Tenho uma entrevista marcada para a vaga de estilista. A recepcionista sorriu cordialmente. — Claro — ela apontou para uma pequena câmera. — Olhe para cá, por favor. Um flash disparou e, poucos segundos depois, a máquina imprimiu meu crachá com os dizeres: Srta. Elena Hart — Visitante. — Quarto andar — indicou a mulher. — Obrigada. Entrei no elevador e, quando as portas começaram a se fechar, uma funcionária apareceu correndo pelo corredor. — Espere! — pediu ela. Segurei a porta com a mão. Ela entrou ofegante, segurando com cuidado um copo de café quente. — Obrigada! — agradeceu ela, olhando para o copo e depois para mim. — Você está indo para o quinto andar? — Quarto — corrigi. Ela praticamente empurrou o café contra o meu peito. — Pode me fazer um favor enorme? — Claro... — segurei o copo, confusa. — Entregue isso ao senhor Thorne — solicitou ela, ajeitando o crachá. Meu coração deu uma pequena batida diferente ao ouvir aquele sobrenome tão familiar. — Alexander Thorne — ela completou. Meu corpo inteiro ficou imóvel no mesmo segundo. Alexander. Não, era impossível. Londres era enorme e eu tinha encontrado aquele homem apenas uma vez; não havia nenhuma chance de ele ser justamente o CEO da empresa onde eu estava prestes a fazer uma entrevista. — Quinto andar! Muito obrigada! — gritou a mulher, saindo correndo assim que as portas se abriram no andar indicado. Olhei para o copo de café nas minhas mãos e suspirei: — Por que eu sempre aceito ajudar estranhos? Como não sabia exatamente onde ficava o departamento de arte e não queria chegar atrasada, decidi subir pelas escadas. No quarto andar, encontrei uma placa indicando o setor, mas vi outra escadaria levando ao andar de cima. Olhei para o relógio e notei que ainda tinha alguns minutos. — Entrego isso e volto — murmurei para mim mesma. Subi os degraus e, assim que cheguei ao quinto andar, dobrei no corredor e esbarrei com força em alguém. O café voou da minha mão e o líquido quente caiu diretamente sobre um terno preto impecável. Meu coração quase saiu pela boca. Levantei os olhos e esqueci de respirar: os mesmos cabelos escuros, os mesmos traços marcantes e os mesmos olhos frios do homem do hotel. Alexander Thorne. Ele também me reconheceu no mesmo instante, e sua expressão mudou por uma fração de segundo. — Você — disse ele, encarando-me. — Você... — murmurei, pasma.






