3 Altas Tensões

Ametista Davis

Fui recebida por uma mulher de semblante firme, cabelos perfeitamente alinhados em um coque e uma postura educada, mas implacável. Sem rodeios, ela me explicou que eu participaria de uma reunião de diretoria imediatamente; somente após o término do briefing é que eu descobriria para qual executivo trabalharia como secretária executiva.

​Meu coração deu um salto, mas engoli em seco e assenti.

​Ao entrar na sala de conselho, o ar-condicionado parecia ainda mais gélido. Na cabeceira da imensa mesa de vidro lapidado, estava o presidente da empresa, o senhor Albert Franklin. Um homem de pouco mais de sessenta anos, cuja postura rígida e terno sob medida exalavam um respeito quase monárquico. Eu o cumprimentei com a voz ligeiramente trêmula, e ele me respondeu com uma polidez mecânica, distante. Logo ao lado, estava outro executivo, apresentado como Gary Franklin. Ele era inegavelmente bonito, aparentando uns trinta e cinco anos, vestido com uma elegância impecável, mas havia algo em seu sorriso... uma expressão velada, quase maquiavélica, que me fez manter a guarda alta.

​Aos poucos, a fauna de diretores e investidores foi ocupando as cadeiras de couro. Os minutos passavam, mas a reunião não começava. O motivo? Faltava o futuro sucessor do império, o filho do presidente: um tal de Jay Franklin.

​Aproveitando aquele hiato de expectativa, decidi abrir discretamente a minha bolsa sobre o colo. Precisava conferir meus pertences. Se algo tivesse caído naquele maldito corredor, eu ainda teria tempo de inventar uma desculpa e voltar para buscar.

​Meus dedos tatearam o interior do couro sintético às pressas. Carteira, documentos, chaves, batom... Nada. Senti o sangue fugir do meu rosto, e meu coração errar uma batida cinematográfica. O controle remoto fosco daquela calcinha vibratória infernal não estava ali.

​Revirei os compartimentos, o pânico arranhando minha garganta. Sumiu. Tentei respirar fundo, me convencendo de que o aparelho estava desligado, seguro e que eu o procuraria assim que a reunião acabasse. Não havia motivo para desespero.

​Foi quando a porta pesada da sala se abriu, e o tempo simplesmente parou.

​Jay Franklin havia chegado.

​Eu não sabia se desfazia o movimento de me levantar ou se simplesmente congelava na cadeira, fundindo-me ao couro. Ele era alto, de uma altivez magnética, cabelos escuros desalinhados na medida exata do charme e os olhos azuis mais cortantes e impressionantes que eu já vira na vida. A boca, perfeitamente desenhada, parecia esculpida para uma campanha de perfume de luxo. No segundo em que seus olhos varreram a sala, senti um soco térmico no baixo ventre. Uma reação física, imediata e avassaladora diante de tanta beleza crua que me deixou profundamente desconfortável.

​Por que meu corpo estava se entusiasmando tanto com um completo estranho? Ele era um bilionário herdeiro, e eu, uma garota desajeitada do interior tentando sobreviver em Los Angeles. Restava-me apenas recolher minha insignificância e admirá-lo em um silêncio torturante.

​Finalmente, os relatórios começaram. Para a minha total surpresa, o assunto me fisgou de imediato. Tudo o que eu havia devorado nos livros do cursinho técnico de administração estava ganhando vida bem diante dos meus olhos. Fluxogramas de processos, estratégias de posicionamento de mercado, gestão de recursos, planejamentos de logística macroeconômica... Era fascinante. A administração possuía uma lógica cirúrgica, uma engenharia milimétrica aplicada ao caos do mercado, e ver aquela teoria se transformando em prática me encantava. Era exatamente ali que eu queria construir meu futuro. Quem sabe, se eu me esforçasse, eles não veriam o meu valor?

​Mas, enquanto eu devorava cada palavra, o herdeiro parecia habitar outro planeta. Jay Franklin estava completamente deslocado. O homem que mais deveria estar interessado no destino daquela empresa parecia afogado em um tédio mortal, girando uma caneta entre os dedos longos, distante. Eu o observava discretamente, intrigada com aquela contradição, quando o meu mundo desabou.

​Sem qualquer aviso, um choque elétrico e violento atingiu o meu ponto mais íntimo.

​A calcinha de renda ganhou vida, vibrando na intensidade máxima. O bulbo de silicone pressionou-se contra a minha carne com uma força tão brutal e repentina que perdi completamente o domínio sobre os meus reflexos. O prazer agudo, úmido e avassalador subiu pela minha espinha como fogo.

​— Oh, meu Deus...!

​O grito, que na verdade foi um gemido sôfrego e rouco, escapou dos meus lábios antes que eu pudesse morder a língua.

​O silêncio na sala foi instantâneo e mortal. Todos os pares de olhos se cravaram em mim. O diretor de finanças parou a apresentação no ato.

​— Perdão. Está tudo bem, senhorita? — a mulher do RH perguntou, franzindo o cenho.

​Tentei responder, mas minha garganta travou, a mente em completo curto-circuito enquanto a vibração continuava a me castigar por baixo da saia.

​— Pois não parece que está tudo bem — Cameron, a secretária ao lado, destilou seu veneno, me medindo de cima a baixo.

​Foi nesse momento de humilhação pura que meus olhos encontraram os de Jay Franklin. E o meu sangue congelou. No canto daquela boca perfeita, desenhava-se um sorriso discreto, canalha e repleto de uma diversão provocadora. Seus olhos azuis faiscavam de malícia. Ele segurava algo sob a mesa.

​Ele havia encontrado o controle. E estava me controlando como uma marionete erótica bem no meio da reunião do pai.

​— Eu... eu preciso ir ao banheiro — gaguejei, minhas coxas se pressionando uma contra a outra em uma tentativa desesperada de conter o tremor do meu corpo.

​Minha voz saiu estranha, arrastada, quase um ganido de puro êxtase contido. A situação ficou insustentável. O senhor Albert suspirou de forma pesada, massageando as têmporas, a paciência evaporada.

​— Quem contratou essa moça? — perguntou ele, a voz fria como gelo. Meu rosto queimou tanto que achei que fosse sangrar de vergonha.

​— Senhor, por favor... é uma emergência... — supliquei, sentindo as lágrimas de humilhação ameaçarem meus olhos.

​— Então vá. Vá ao banheiro ou para onde quiser. Só não volte para interromper a reunião e, de preferência, não volte à empresa.

​Aquelas palavras foram um soco direto no meu estômago. Eu estava sendo demitida antes mesmo de ser contratada. Minha grande chance em Los Angeles desintegrara-se em segundos, e eu sequer podia me defender.

​Saí praticamente correndo da sala, as pernas bambas, os dentes cravados no lábio inferior enquanto a calcinha maldita continuava a pulsar contra a minha intimidade a cada passo no corredor. Encontrei a placa do banheiro feminino e me joguei para dentro, trancando a porta principal. Apoiei as mãos trêmulas na pia de mármore e joguei água gelada no rosto, tentando aplacar o incêndio que corria pelas minhas veias. Eu queria chorar, sumir do mapa, morrer.

​Entrei correndo em uma das cabines e, com movimentos frenéticos, me livrei daquela maldita peça de renda e silicone, jogando-a no fundo da lixeira. Quando saí de volta para a área dos lavatórios, secando o rosto com papel, meu coração saltou pela boca.

​Jay Franklin estava escorado contra a parede, de braços cruzados, a jaqueta do paletó levemente aberta. Ele estava no banheiro feminino. E me esperava com a paciência de um predador.

​Tentei manter o restante de dignidade que me sobrava, cruzando os braços sobre o peito para disfarçar o quanto a presença física dele — aquele perfume amadeirado caro e a proximidade perigosa — me perturbava.

​— Você sabe que está no banheiro feminino, não sabe? — disparei, tentando soar firme, mas minha voz ainda oscilava.

​— Claro que sei — respondeu ele, com um tom de deboche que fez meu estômago revirar.

​— E você sabe que não deveria usar certos... produtos durante uma reunião executiva? — Ele arqueou uma das sobrancelhas escuras, dando um passo lento em minha direção. Um sorriso preguiçoso e perigosamente sensual brotou em seus lábios. — Esse tipo de brinquedo costuma funcionar muito melhor em casa...

​Ele deu mais um passo, reduzindo a distância entre nós a quase nada. Pude sentir o calor que emanava do corpo dele.

​— Ou, dependendo da companhia... — Seus olhos desceram para a minha boca, intensos, cheios de uma promessa explícita. — ...a dois.

​Minhas costas bateram contra a pia de mármore. O ar sumiu completamente dos meus pulmões.

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