Mundo de ficçãoIniciar sessão_# Capítulo 6: A Entrevista
**Ponto de Vista: Alice Coone**
Uma semana. Uma semana se passou desde que enviei aquele e-mail para o abismo, e o silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. A cada dia que passava, a pequena chama de esperança que se acendera em mim diminuía, ameaçando se extinguir por completo. Eu continuei minha rotina, cuidando dos filhos dos outros, voltando para casa e enfrentando os olhares acusadores de minha mãe. A carta do banco parecia ter se tornado uma presença física na casa, um convidado indesejado sentado à mesa de jantar.
Eu já tinha arquivado o anúncio na categoria de "tentativas fracassadas" em minha mente, quando o e-mail chegou. Era de um endereço genérico, sem nome ou logotipo, com o assunto: "Inquérito sobre sua candidatura". Meu coração deu um salto tão violento que precisei me sentar.
O e-mail era tão austero quanto o anúncio original. Agradecia meu interesse e informava que meu currículo havia sido selecionado para uma entrevista inicial. A entrevista seria realizada por videochamada no dia seguinte. Um link foi fornecido, junto com um aviso estrito de pontualidade. Não havia nome de contato, apenas "A Gerência".
O nervosismo era uma corrente elétrica sob minha pele. Esta era a minha chance. Minha única chance. Passei a noite pesquisando possíveis perguntas de entrevista, preparando respostas que me fizessem parecer competente, confiável e, acima de tudo, discreta. Peguei emprestado um blazer de uma amiga, uma peça que parecia mais profissional do que qualquer coisa que eu possuía, na esperança de parecer a pessoa que eles estavam procurando.
No dia seguinte, quinze minutos antes do horário marcado, eu estava sentada na minha escrivaninha, o blazer um pouco apertado nos ombros, o cabelo preso em um coque arrumado. Eu havia pedido a uma vizinha para ficar de olho em Lily e implorado a minha mãe para não fazer barulho. Meu estômago era um nó de ansiedade.
Exatamente no horário, cliquei no link. A tela piscou e uma mulher apareceu. Ela estava em um escritório que parecia saído de uma revista de arquitetura: minimalista, com paredes de vidro e uma vista desfocada de arranha-céus ao fundo. A mulher em si era a personificação da eficiência. Cabelo grisalho cortado em um bob perfeito, óculos de grife e uma expressão que não revelava absolutamente nada. Ela não sorriu.
"Senhorita Coone", ela disse, sua voz era nítida e sem emoção. "Meu nome é Sra. Davenport. Eu sou a consultora que representa o cliente para esta posição. Esta entrevista não levará mais de vinte minutos."
Ela começou uma série de perguntas rápidas e diretas. Minha experiência, minhas qualificações, minhas referências. Ela questionou minha capacidade de lidar com situações de estresse, minha compreensão do que significava "discrição absoluta". Eu respondi a cada pergunta da forma mais calma e profissional que pude, minha voz surpreendentemente firme.
"A posição exige que a candidata selecionada more na residência", ela afirmou, seus olhos me avaliando através da tela. "Isso representa um problema para você? Entendemos que você tem uma irmã mais nova."
Meu coração afundou. Era isso. O obstáculo que eu temia. "Minha irmã é a pessoa mais importante da minha vida", comecei, escolhendo minhas palavras com cuidado. "Qualquer arranjo teria que incluir o bem-estar dela. Eu sou sua principal cuidadora."
"O cliente não está procurando adotar uma família, senhorita Coone", disse ela friamente. "A posição é para uma única funcionária."
O desespero me atingiu. Eu podia sentir a oportunidade escapando por entre meus dedos. Mas então, a imagem de Lily, seu rosto confiante em mim, me deu uma última onda de coragem. "Eu entendo", eu disse, minha voz ganhando uma nova força. "Mas talvez o cliente entenda que uma funcionária cuja mente está em paz, sabendo que sua família está segura, é uma funcionária mais focada e dedicada. Minha irmã é uma menina tranquila e bem-comportada. Ela não seria um fardo. Na verdade, eu acredito que minha dedicação em protegê-la é a maior prova da minha lealdade e capacidade de cuidar dos outros. É a minha maior referência."
Sra. Davenport me encarou em silêncio por um longo momento. Seus olhos eram ilegíveis. Eu pensei que tinha estragado tudo, que minha audácia a tinha ofendido. Eu já estava me preparando para o "Obrigado, mas não" quando ela finalmente falou.
"A posição envolve cuidar de uma criança", ela disse lentamente. "Um menino de cinco anos."
"Eu tenho vasta experiência com crianças dessa idade", respondi rapidamente.
"Ele... ele precisa de mais do que apenas supervisão. Ele precisa de estabilidade. E de calor." A palavra "calor" soou estranha vinda dela, como se fosse uma língua estrangeira.
"Eu posso oferecer isso", eu disse, e desta vez, não era apenas uma resposta de entrevista. Era a verdade. O cuidado e o amor que eu sentia por Lily eram a prova disso.
Ela fez mais algumas perguntas, mas o tom parecia ter mudado sutilmente. Havia um pingo de... algo que não era frieza em sua voz. No final, ela me olhou novamente, uma longa pausa se estendendo.
"Obrigada pelo seu tempo, senhorita Coone. Entraremos em contato se o cliente desejar prosseguir para a próxima fase." E com isso, a tela ficou preta.
Eu desabei na cadeira, o ar saindo dos meus pulmões em um longo suspiro. Eu não tinha ideia do que pensar. Eu tinha sido honesta, talvez honesta demais. Eu havia defendido Lily, e ao fazer isso, talvez tivesse sacrificado nossa única saída. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que não poderia ter feito de outra forma. Minha integridade, meu amor por minha irmã, não estavam à venda. Nem mesmo pelo salário mais competitivo do mundo.
Agora, tudo o que eu podia fazer era esperar. E rezar para que, por trás daquela fachada de aço e vidro, houvesse um cliente que não estivesse procurando apenas uma funcionária, mas uma pessoa. Alguém que pudesse entender que o coração de uma cuidadora não é algo que se pode simplesmente desligar na porta de entrada.







