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# Capítulo 5: Uma Decisão Inevitável

**Ponto de Vista: Neil Bodvan**

O som é quase imperceptível, um soluço abafado vindo do monitor de áudio que insisti em manter em meu escritório. É o som de Loren. Outro pesadelo. É a terceira vez esta semana. Cada soluço é como uma agulha fina perfurando a névoa de apatia que me cerca.

Fico paralisado, o copo de uísque a meio caminho dos meus lábios. Uma parte de mim, o pai que eu deveria ser, grita para que eu corra até o quarto dele, que o pegue no colo e o conforte até que o monstro sob sua cama desapareça. Mas a outra parte, a maior parte, a que está quebrada e oca, me mantém pregado à cadeira. O que eu diria? Que palavras de conforto um homem que não sente nada pode oferecer a uma criança que sente tudo?

Espero, tenso, que a babá, a Sra. Gable, intervenha. Ela é paga para isso, afinal. Mas o silêncio se estende. O choro de Loren se transforma em um chamado baixo e trêmulo: "Mamãe...".

Essa palavra. É um soco no estômago. Ele não se lembra dela. Não de verdade. Ele tinha apenas dois anos quando ela... se foi. As poucas memórias que ele pode ter são fragmentos, sensações. O resto é construído a partir das fotografias que ele às vezes olha, escondido, como se estivesse fazendo algo errado. Ele a chama em seus sonhos, a mãe fantasma que ele nunca conheceu de verdade.

O chamado se repete, mais desesperado desta vez. E ainda assim, a Sra. Gable não aparece. A raiva, uma emoção rara e enferrujada, começa a borbulhar em meu peito. Deixo o copo na mesa com força, o líquido âmbar balançando perigosamente. Atravesso o corredor em passadas largas e silenciosas, o coração martelando contra minhas costelas com uma urgência que eu não sentia há anos.

Abro a porta do quarto de Loren. A única luz é a de um pequeno abajur em forma de lua, projetando estrelas no teto. Meu filho está sentado na cama, as mãozinhas esfregando os olhos, o corpo pequeno tremendo. Ele está sozinho.

"Loren?", minha voz sai mais rouca do que eu pretendia.

Ele se assusta, os olhos se arregalando na penumbra. "Papai?"

Caminho até a cama e me sento na beirada. O colchão afunda sob o meu peso. É a primeira vez que faço isso em... não consigo me lembrar da última vez. Ele me olha com uma mistura de medo e esperança que parte meu coração já em frangalhos.

"Tive um sonho ruim", ele sussurra.

"Eu sei", respondo, sem jeito. Estendo a mão e toco seu cabelo. É macio, sedoso. Ele se encolhe por um instante com o meu toque, como se não estivesse acostumado, e então se inclina em direção à minha mão. Um gesto tão pequeno, mas que me atinge com a força de uma onda.

Ficamos em silêncio por um momento. Eu não sei o que dizer. Ele parece não esperar que eu diga nada. Apenas a minha presença parece bastar. Eventualmente, seus tremores diminuem e sua respiração se acalma. Ele se deita novamente, os olhos fixos em mim.

"Você vai ficar?", ele pergunta, a voz sonolenta.

"Vou", prometo. E eu cumpro. Fico sentado ali, imóvel, muito tempo depois que ele adormece, apenas observando o subir e descer suave de seu peito. Nesta sala silenciosa, a verdade que eu tenho tentado afogar em uísque vem à tona, clara e inegável. Ele precisa de mais. Ele precisa de mais do que uma babá que o trata como uma tarefa. Ele precisa de mais do que um pai que é uma sombra.

Ele não precisa apenas de cuidados. Ele precisa de carinho. De calor. De alguém que o abrace quando ele chora, que leia histórias para ele com vozes engraçadas, que o faça sentir que ele não está sozinho neste mausoléu gigante. No fundo, eu sei o que ele realmente precisa. Ele precisa de uma mãe. E se eu não posso trazer a dele de volta, eu preciso, pelo menos, encontrar alguém que possa preencher uma fração desse vazio.

Na manhã seguinte, a Sra. Gable é demitida. Ela não parece surpresa, apenas irritada com a inconveniência. Eu a observo ir sem uma palavra.

Depois, sento-me em meu escritório, não com um copo de uísque, mas com meu laptop. A tarefa parece monumental, impossível. Como se contrata... calor? Como se escreve um anúncio de emprego para uma alma?

Decido ser pragmático. Foco nos requisitos práticos, mas com uma nova intenção. Não apenas uma babá. Uma governanta. Alguém que não apenas cuide de Loren, mas que possa trazer um sopro de vida de volta a esta casa. Alguém com dedicação exclusiva, que more aqui, que se torne parte da estrutura silenciosa deste lugar e, talvez, a quebre.

Escrevo o anúncio, as palavras soando estranhas e formais. "Procura-se cuidadora/governanta... discrição absoluta... flexibilidade total... salário extremamente competitivo... moradia incluída." É um anúncio frio para uma necessidade tão desesperadamente quente.

Envio o texto para uma agência de empregos de elite, uma que lida com o tipo de cliente que não quer seu nome divulgado. Eles cuidarão da triagem inicial. É mais fácil assim. Menos pessoal.

Mas enquanto fecho o laptop, uma sensação estranha me percorre. Não é esperança. A esperança é uma emoção perigosa que abandonei há muito tempo. É... intenção. Pela primeira vez em anos, eu não estou apenas reagindo ao vazio. Estou agindo contra ele. Por Loren. Apenas por ele, digo a mim mesmo. É uma mentira conveniente, uma que me permite manter minha armadura intacta. Mas no fundo, em algum lugar sob as camadas de gelo, uma pequena rachadura se forma. E eu me pergunto, com um pingo de terror, se a pessoa que eu contratar para aquecer a vida do meu filho poderia, inadvertidamente, começar a derreter a minha.

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