POV de Mariana
O hospital continuava fedendo. Talvez mais do que da última vez. O cheiro de doença e desinfetante barato impregnava as paredes, os lençóis, o ar. Mas eu não me importava. Na verdade, eu até gostava. Aquele lugar me lembrava que gente pobre sofre. E gente pobre merece sofrer.
Eu tava de pé ao lado da cama da costureira, os braços cruzados, os olhos fixos naquela figura patética deitada nos lençóis puídos. A velha dormia. Sempre dormia. Devia ser o único escape que ela tinha da re