Ticiano
Ele subiu a escada de pedra com passos firmes, cada degrau ecoando sob o peso de pensamentos que colidiam dentro dele com a mesma violência de uma tempestade avassaladora.
A villa estava silenciosa demais para aquela hora da noite, como se a casa inteira estivesse prendendo a respiração, temendo por sua reação. A criança permanecia em seus braços, leve e quente, o corpinho pequeno acomodado contra o seu peito largo como se aquele fosse, desde sempre, o lugar certo.
— Cesira — ordenou do alto da escada, sem virar o rosto — leve essa desgraçada para o quarto preparado. Agora.
A velha resmungou uma resposta contrafeita. Sabia exatamente o que ela estava pensando, e esperava que Cesira ousasse se opor em voz alta. Mas sabia que a velha governanta da propriedade, nunca faria isso.
Ticiano não esperou para ver Camila ser conduzida.
Não precisava.
Toda a sua atenção estava voltada para o peso mínimo e avassalador que carregava.
O quarto dele o recebeu com o cheiro familiar de madeira