Mundo de ficçãoIniciar sessãoMagdalena
Peguei os medicamentos e coloquei no chão, me ajoelhei analisando melhor o corte.
_ Droga... parece fundo senhor Darius, acho melhor o senhor procurar um hospital! _ Se eu fosse colocar meu dedo, certamente entraria metade no corte.
_ Não se preocupe, fêmea, vai cicatrizar logo. Sou um macho alfa, sou forte e resistente! _ Disse ele todo convencido.
Me segurei para não revirar os olhos.
_ Bem, já que você é macho e forte, sei que vai aguentar o medicamento! _ Resmunguei.
Peguei um medicamento que muito usei quando me feria na época do casamento. Despejei um parte no ferimento, e até ai tudo bem. Começou a borbulhar na carne, como deve ser, e o tal macho alfa ficou parado, quieto, observando, porém ouvi um rosnado alto e olhei para cima.
_ Mas que ... que porra é essa? _ Perguntou, visivelmente com dor.
_ Ué, um medicamento humano para tratar feridas. _ Me coloquei em pé e cruzei os braços, enquanto isso ele se contorcia de dor. _ Pensei que fosse um macho alfa forte e resistente. _ Ironizei.
Não sei o que está acontecendo comigo, mas me deu vontade de debochar e rir. E foi isso que fiz.
Comecei a rir sem parar das caretas de dor. Ele parecia apavorado, e eu uma maluca sádica por achar graça da dor alheia.
Limpei uma lágrima que escorreu do meu olho, e voltei a encara-lo.
_ Fêmea, se isso for algum veneno, eu te afogo naquela cachoeira, ouviu? _ Ele resmungou.
_ É só um remédio, seu bobo. _ Respondi sem pensar, mas me toquei na hora do erro. _ Oh... desculpe, eu...
_ Tudo bem. Estou sendo bobo mesmo, pois não imaginava que um remédio humano pudesse doer tanto.
_ É um remédio comum entre sua raça. Os shifters usam bastante.
_ E por que você usa? É forte demais para uma humana frágil e fêmea. _ Ele arqueou uma sobrancelha, genuinamente curioso.
_ Eu... eu me feria muito quando era jovem. Mas já faz tempo. Me acostumei com a dor do medicamento. _ Desviei do olhar curioso e me ajoelhei novamente.
Fiz um curativo bem porco, mas que seria o suficiente para proteger a ferida aberta até que ela fechasse.
Daius ficou em pé, analisando o ferimento. Depois seus olhos desviaram para a minha cama.
_ Sujei sua cama. Sinto muito, Magdalena. _ Murmurou.
Alguma coisa parecia errado, pois ele olhava demais para a minha cama, e respirava fundo inalando cada vez mais o ar.
_ Tudo bem, eu troco os lençóis, e a cama tem capa impermeável. Dessa forma não suja e nem mancha.
Comecei a tirar os lençóis sujos de sangue. Pedi que Darius esperasse um pouco para ir embora, e corri para a lavanderia, colocando os materiais de cama para lavar antes que manchassem com sangue.
Quando retornei para a cabana, ele havia estendido novos lençóis na cama, e estava deitado na minha cama,esticado, como se estivesse em casa.
Cruzei meus braços, observando o folgado.
_ Preciso de tempo até me transformar de novo. _ Resmungou.
O cretino virou de costas pra mim, e simplesmente se tapou.
Será que ele já pretendia passar a noite na minha cabana? Que droga, amanhã terei um dia cheio, pois mais dois hóspedes estão para chegar e vou precisar dar uma geral em duas cabanas inteiras.
Fechei a porta e aproveitando que a cama é enorme, coloquei alguns travesseiros no meio, e peguei outro cobertor para mim. Me deitei na outra ponta, bem afastada do alfa arrogante.
O cansaço do dia me venceu, e acabei pegando no sono muito rápido.
Só espero que esse doido não tente me agarras, senão serei obrigada a usar o spray de pimenta que tenho do lado da cama.
(...)
Acordei com a luz suave do amanhecer entrando pela janela pequena da cabana. Pisquei devagar, um pouco confusa. Meu corpo estava quente, confortável demais. Foi então que lembrei.
Ele ainda estava aqui...
Virei a cabeça lentamente e prendi a respiração.
Darius dormia profundamente ao meu lado. Durante a noite a barreira de travesseiros havia sido completamente destruída, ou simplesmente ignorada. Ele estava deitado de costas, com o cobertor caído até a altura dos quadris. Quase nu.
Meu Deus…
Seu peitoral largo subia e descia devagar com a respiração calma. A pele bronzeada e quente contrastava com os lençóis claros. Meus olhos desceram por conta própria: os ombros largos, os braços fortes com veias marcadas, o abdômen definido. Cada gominho estava perfeitamente esculpido, como se alguém tivesse esculpido seu corpo em pedra. Havia uma fina trilha de pelos castanhos que descia do umbigo e desaparecia sob o lençol.
Engoli em seco.
Ele era… absurdamente atraente. Bonito de um jeito quase ofensivo. O tipo de homem que parecia ter saído de um sonho, ou possivelmente de um pesadelo, dependendo do ponto de vista. O maxilar marcado, os lábios cheios e ligeiramente entreabertos, o cabelo castanho dourado bagunçado no travesseiro. Até dormindo esse arrogante sem vergonha emanava poder e perigo.
Senti um calor subir pelo meu ventre. Uma vontade traiçoeira de esticar a mão e tocar aquele peito, sentir se a pele era tão quente quanto parecia.
Pisquei algumas vezes, desviando o olhar, completamente envergonhada de mim mesma. Nunca tive esse tipo de pensamento, e nem reparei demais em homens. Mas... ele é bonito, bonito demais.
Mas se bem que... um alpha como ele, rico e bonito assim pode ter qualquer mulher, inclusive uma bem mais jovem do que eu, com menos bagagem e bem menos cicatriz. Eu sou só uma solteirona de trinta e cinco anos, que foi abandonada por não ser fértil, e escorraçada pela família por não desejar passar pelo inferno de novo em um
Ele não era para o meu bico.
Homens como Darius não se interessavam de verdade por mulheres como eu. Eles caçam, se divertem e vão embora. Minha cota de destruição já passou. Não vou ser o brinquedo de mais ninguém, me recuso a sofrer mais uma vez.
Com cuidado, comecei a me levantar da cama, tentando não fazer barulho. Precisava sair dali antes que ele acordasse.
Mas no momento em que meus pés tocaram o chão frio, ouvi sua voz rouca de sono atrás de mim.
_ Fugindo tão cedo, Magdalena?
Meu corpo inteiro gelou. Quase pulei no lugar. O alpha arrogante acordou..







