Capítulo 2

Kenneth observou da janela do seu quarto o jardim coberto por neve, havia um chafariz bem no meio do local, seu olhar vagou mais uma vez para o horizonte. Possuindo a visão completa da floresta, se virou e saiu do quarto andando pelo enorme corredor escuro da mansão, pedira para os criados não deixarem as velas acesas durante à noite, já que sua visão era aprimorada no escuro. E a claridade o incomodava às vezes. 

Seu olfato e sua audição estavam-lhe alertando para não prosseguir no corredor, ainda mais quando ele ouviu perfeitamente os gemidos, virou os olhos, depois iria combinar com Tristan os lugares específicos para ele poder ficar com a noiva em paz, afinal logo teriam mais uma pessoa naquela casa e com certeza ela não iria ter os instintos de alerta assim como os dele. Decidindo não atrapalhar o momento do casal retornou o caminho todo que fizera e escolheu ir pela ala oeste.

Enquanto andava até o escritório, observou cada parte da mansão, mesmo estando todos esses anos longe, um dos seus criados de confiança fazia uma limpeza por dentro todo mês. A arquitetura permanece sólida e forte, não tinha nada a temer, e aquela casa pertencia a sua família e com certeza faria de tudo para permanecer assim passando de geração para geração, sempre tentando preservar o único patrimônio que tinha dos White's.

Chegou até a entrada principal e desceu as grandes escadas, seguindo para o escritório.

Assim que entrou no cômodo — que antes pertencia ao seu pai —, passou os dedos pela mesa de mármore na cor mogno, atrás da mobília, havia uma grande janela que estava coberta por uma cortina negra e grossa que deixava o ambiente ainda mais sombrio. Ele foi até um candelabro e acendeu apenas duas velas para causar um reflexo, em seguida ouviu a porta sendo aberta.

— Eu ouvi você no corredor, céus, desculpe por aquilo, Kenneth. — Lamentou Tristan entrando na sala e fechando a porta. — Não vai acontecer de novo.

Kenneth foi ao armário onde guardava as garrafas de bebidas pegou uma garrafa e a abriu sentindo o cheiro forte, serviu a bebida nos dois copos limpos que estava em cima da bandeja numa prateleira, entregou um copo à Tristan.

— Está tudo bem, eu nunca liguei para tal coisa. — Disse, dando a volta na mesa e se sentou na cadeira confortável. — Mas, como falamos, em breve teremos alguém aqui, tenha cuidado, sei o quanto pode ser prazeroso experimentar novos lugares, porém, não queria ter uma mulher escandalizada.

— Obrigado senhor. — O amigo lhe agradeceu e virou o copo em seguida fazendo uma careta.

— Pelo menos, com essa menina parece ser sério, de verdade. — Sorriu. — Estou feliz por você, garoto. — Dito isso, virou o copo de rum, de uma só vez, sentindo o líquido causar uma ardência em sua garganta.

— Sim, por falar nisso — o loiro colocou o copo de volta na mesa —, como você irá fazer com a aldeia, no caso?

— Uma coisa de cada vez, acabei de chegar, vou me familiarizar novamente com o local, e deixar algumas situações em ordem.

— Hum! Por falar em família, vamos encontrar uma esposa rapidamente. — Tristan lhe deu um sorriso.

— Me dê um tempo. — Dando de ombros —, acabei de chegar, e procurar uma mulher ideal vai ser difícil. — Se mexeu na cadeira visivelmente, incomodado, foi quando ele notou a expressão maliciosa do amigo. — Tristan, vai fazer uma ronda por aí, deixe crianças fora do caminho. — Ordenou.

Assim que ficou sozinho, tirou o brasão da família do bolso das calças e ficou o encarando, lembrando-se de sua família e de toda aquela maldição que caiu sobre eles, e que nenhum White poderia evitar.

Quem quer que fosse a sua esposa, sabia que teria que ter bastante cuidado, teria que escolher bem alguém de extrema confiança, seu casamento não precisava de amor, somente de confiança e uma amizade já era o suficiente, e depois teriam um herdeiro, quando chegasse esse momento a proteção para a sua futura família seria ainda maior.

Kenneth se levantou da cadeira, foi em direção a porta, em seguida parou, sua audição se aguçou e o seu olfato farejou um cheiro diferente. Seu instinto protetor se apresentou, seus olhos ficaram amarelos vivos por uns instantes e a raiva quase o dominou, aquele era o seu território, não gostava que ninguém estranho invadisse. Principalmente os da sua espécie.

Quem quer que fosse ele teria que deixar claro, estava de volta, e aquela floresta era sua.

Ninguém chegaria perto.

                                    ✧✦🌒✧✦

Mia olhou-se no espelho redondo pendurado na parede do seu quarto pegou uma pequena parte do cabelo e fez duas tranças de cada lado, amarrando para trás no final com um pequeno elástico negro, o restante do cabelo permaneceu solto caindo levemente ondulados até baixo da cintura.

Beliscou levemente as bochechas com a ponta dos dedos para dar uma aparência mais rosada em seu rosto. Terminou de aprontar colocando uma pulseira e borrifou um pouquinho de essência floral sobre algumas partes do corpo que iria fixar melhor o cheiro na pele.

Analisou o seu corpo e reparou no seu vestido; era simples e bonito na cor vinho que marcava bem suas curvas femininas, calçou as botas e saiu do quarto.

Ela iria até a casa de Brice, os seus amigos estariam por lá também, desceu as escadas de sua casa e seguiu até a porta de entrada, pegando sua capa vermelha e se agasalhando, deu um beijo nos pais rapidamente.

— Mia, não demore muito. — Agnes sorrio. — Divirta-se e dê lembranças ao Zyner. — Piscou.

Balançando a cabeça ela saiu de casa, caminhando em direção a casa da amiga, não demoraria para escurecer, automaticamente olhou para a floresta se arrepiando da cabeça aos pés. Poderia ser insanidade, mas hoje o lugar parecia estranhamente atraente, mais do que o costume.

Sentia que algo a chamava. Por uns momentos ela chegou a pensar em entrar. No entanto, desistiu da loucura no mesmo instante. Ainda tinha um pouco de lucidez, sabia o quanto poderia ser perigoso entrar lá à noite, afinal a neblina ficava muito mais intensa e a hipótese de se perder era grande.

Encontrou o portão aberto e olhou para os amigos na varanda sentados em volta da pequena mesa bebendo. Chegou perto deles cumprimentando cada um.

— Olá, ogra! — Brice comentou zombando.

— Ogra é a senhora a sua avó com todo respeito. — Rebateu, fazendo uma careta. — E esse casamento de vocês vai sair? marcaram a data?

— Sim, deixamos para perto do natal. — Arthur respondeu com um sorriso, olhando para a noiva. — Depois dela me pedir muito, resolvi aceitar.

— Engraçado, tem algo errado aí. — Brice riu, dando um beliscão carinhoso na bochecha do noivo.

— Princesa! — Exclamou Zyner todo galanteador oferecendo um copo de bebida para ela. 

Mia não era muito de tomar bebida, e não era nada agradável uma mulher solteira beber. Mas, estava frio demais e o líquido com certeza aqueceria o seu corpo. Pegou o copo e tomou um grande gole fazendo uma careta pelo gosto estranho. 

— Z, você tem que parar com isso. — Deu-lhe um esbarrão com o cotovelo de brincadeira. — A sensação que tenho, é como se um irmão mais velho estivesse dando em cima de mim.

Z apenas fez uma careta e lhe deu um sorriso contagiante.

— Mas tem que admitir, eu seria o irmão velho mais formoso de Florswood. — Comentou, arrancando a risada dela e do restante do pessoal.

— Ah, Cristo! — Debochou Kurts. — Até parece!

Então iniciaram uma conversa, riram se lembrando das histórias de crianças. Fazia tempo que ela não se divertia assim com o grupo inteiro junto. Nem havia notado que o tempo se passou, e já estava escurecendo lá fora, parou com o copo de cerveja na metade, já estava tonta o suficiente e o seu corpo estava muito aquecido pelo efeito do álcool.

— Bom, já está na minha hora, vou indo pessoal. — Mia sorriu se levantando.

— Quer que eu a acompanhe até em casa? — Perguntou Z.

— Não, precisa não, eu estou bem — Sorriu — até mais bobocas e não demorem.

Ela saiu da casa, já escurece faz tempo, Agnes e Vladeck com certeza não iriam gostar nada. As lamparinas estavam acesas e daqui a pouco iriam tocar o toque de recolher. Como estava começando a nevar, puxou o capuz da sua capa levando até sua cabeça, foi andando para casa, mas, quando chegou na metade do caminho parou e encarou a entrada da floresta.

Será mesmo que tudo aquilo era apenas sua imaginação?

Já chega! Sabia que não iria conseguir dormir se não fizesse aquilo e iria tirar suas dúvidas de uma vez por todas. Sentindo-se totalmente valente — pelo efeito do álcool —, ela pegou uma lamparina pendurada na porta de uma casa e partiu para a floresta.

Não estava se importando se iria ficar perdida, ou se era completamente perigoso, só queria e tinha que tocar a porcaria daquele sino novamente, se recusava a esperar até a luz do dia, tinha de fazer agora. Seu coração disparou e sua respiração acelerou, em passos ligeiros andou pela trilha que chegaria até a mansão.

A floresta estava mais sombria do que já vira, o barulho dos pios de coruja deixava o ambiente mais sinistro. A neblina dificultava um pouco a visão e o chuvisco da neve fazia a vela da lamparina ficar mais fraca, colocando as mãos na frente para tentar segurar o máximo da única luz que tinha continuou caminhando.

Seguiu pela trilha e parou de repente, ergueu a vela e seus olhos se arregalaram, a floresta estava com duas divisões que ela nunca vira ou prestou atenção. Totalmente confusa continuou com a luz levantada decidindo por qual caminho ir.

— É por aqui, tenho certeza. — Afirmou para si mesma. — Aime, você é bem insana.

Então andou para a trilha esquerda, e cada vez que ela seguia pelo caminho se sentia mais confusa, aquele não parecia a direção que iria para a mansão. Continuou caminhando, estranhando cada vez que adentrava na estrada na floresta. Em um certo ponto parou, com toda a certeza do mundo aquele não era o caminho da mansão, pelo vento gelado e o chuvisco de neve aumentado a luz se apagou deixando-a sobre a escuridão da noite.

Merda!

Sentindo-se enjoada ela deu meia volta, resolvendo seguir o percurso todo de volta e indo diretamente para a casa. Porém, assim que deu alguns passos, ouviu um barulho de algo se partindo por entre as árvores.

— Quem está aí? — Indagou para o breu, esperando talvez uma resposta que não obteve.

Balançou a cabeça imaginando poder ser algum animal e voltou a andar, e então escutou outro barulho, dessa vez eram passos.

— Muito bem, quem está aí? — Repetiu a pergunta de antes, tentando não deixar transparecer o seu pânico na voz e então tudo ficou silencioso novamente. — Já chega dessa loucura, você bebeu demais Aime, está ouvindo coisas. — Sussurrou tentando se acalmar.

Mas na hora que ela ia começar a correr, viu surgir entre as árvores no meio da neblina um grupo de cinco homens.

— Ora, ora, o que temos aqui? — Um deles disse com a voz rouca e arrastada. — Uma cordeira indefesa. — Enfatizou sarcástico, fazendo o restante do grupo rir.

Mia sentiu seu sangue gelar e começou a tremer, nunca vira aqueles homens antes. Todos eles vestiam calças rasgadas e botas, estavam sem camisa e tinham um olhar feroz e totalmente perigoso.

— Podemos brincar com ela, Blink? — Questionou o outro com um sorriso malicioso nos lábios se dirigindo ao homem que estava do seu lado.

Ela notou que de todos os outros, o homem chamado Blink, era o mais perigoso, e a olhava de um jeito estranho como se ele estivesse cercando sua presa. O corpo dele também se diferenciava dos outros, os braços eram musculosos e os cabelos caíam até a altura do queixo e estavam desgrenhados.

— Não sei — Blink sorriu e coçou o rosto, analisando cada traço do corpo dela —, hum! Suponho que podemos brincar sim. — Respondeu malicioso.

Mia engoliu um seco estremecendo.

— Ouça, eu não quero confusão, quero sair daqui. — Lutou para deixar a voz firme, mas o seu medo era tanto que tinha quase certeza que não funcionou. — S-só me perdi, eu preciso voltar, estão a minha procura. — Acrescentou dando uns passos para trás, quando percebeu que o grupo começou a cercá-la.

— Penso que você não entendeu! — Exclamou o sujeito, passando a língua sobre os lábios. — A cordeirinha está em nossa área, então nesse momento, pertence a nós. E a senhorita deveria saber que é proibido entrar aqui, ainda mais sozinha.

Em movimento rápido ela deixou a lamparina cair no chão e correu. Então, um deles apareceu na frente dela de uma forma rápida e surpreendente, ela parou de correr e tentou ir para o outro, e o outro homem estava lá, não tinha solução estava cercada.

O grupo se aproximou bem devagar e rindo perversamente do medo dela, enquanto Mia pensava em algo para se proteger, se fosse somente um homem, ela poderia ter uma oportunidade com um golpe que o seu pai lhe ensinou, porém, eram cinco.

A única hipótese era gritar até perder os sentidos e talvez alguém a ouvisse. Blink a segurou com força pelos braços, e os outros homens se aproximaram, ela chutou um bem no meio das pernas observando o mesmo sentir um pouco de dor, mas não se afastar.

Quando se preparou para gritar uma mão tapou sua boca e quando a mão do líder ia tocar em seu vestido, ela ouviu outra voz:

— É melhor nem pensarem em fazer isso. — Avisou em um tom de ameaça.

Todos eles se viraram e olharam na direção da voz, até mesmo ela. Aquela voz não era estranha já ouvira em algum lugar.

— É mesmo? Por que acredita que vamos obedecer a você? — Questionou Blink, e de repente ela sentiu as mãos dele que a segurava tremerem um pouco. — É você! — Acusou.

— Solte a garota, Blink. Não vou pedir com educação da próxima vez. — A voz disse novamente, finalmente ele a soltou. — Caiam fora daqui! — O homem rosnou ameaçador dessa vez.

Mesmo com relutância, os homens saíram apressados, sumindo entre a neblina da floresta. Mia soltou a respiração totalmente aliviada e colocou as mãos na barriga, o homem que a salvou continuava ali parado, ela tentou enxergá-lo para agradecer, mas só conseguia ver sua sombra. 

Teria que agradecer seu salvador de alguma forma.

— Muito obrigada! Senhor — sussurrou sem jeito com a voz trêmula pelo frio e medo. — Eu o conheço? — Indagou.

Logo ouviu depois a risada dele, e dessa vez, ela estremeceu, não de medo, mas sim por outro motivo.

— Então, a senhorita realmente atrai o perigo. — Foi andando até onde ela estava, surgindo da neblina, dando a visão completa para ela. — Olá, mocinha de cabelos de fogo!

Os lábios dela se abriram em pleno choque, quem estava na sua frente era ele. O homem que internamente sempre desejou rever.

Aquilo era mesmo real? 

O homem mascarado existe! Não era fruto da minha imaginação!

Santo Deus!

Ela ia desmaiar!

— Oh! merda! — Praguejou sussurrando sem parar de olhar para ele. — Você existe mesmo!

A máscara cobria o seu rosto, os cabelos escuros estavam presos em um rabo de cavalo, o sobretudo negro cobria grande parte do corpo, as mãos dele estavam para trás, ele deu um sorriso completamente ladino e charmoso.

— A senhorita tem uma boca suja! — Ele ergueu uma sobrancelha. — Foi por pouco, o aviso que lhe dei para ficar longe da floresta não serviu de nada?

— O que tinha naquela cerveja? — Indagou, piscando sem parar.

Mia sentiu o seu corpo fraquejar, as pernas ficaram bambas e antes que ela caísse no chão, sentiu duas mãos quentes e fortes a segurando pela cintura. A última coisa que viu antes de adormecer foi um sorriso torto nos lábios dele completamente lindo.

                                    ✧✦🌒✧✦

Assim que levou a garota desmaiada para casa e a colocou na cama, Kenneth voltou para a mansão, deixando-a para pensar em tudo aquilo quando estivesse em casa. Quando estava perto dos portões da mansão seus sentidos ficaram em alerta. Se virou rapidamente e encontrou uma pessoa que não esperava.

— Roarke? — Perguntou confuso, olhando o homem na sua frente.

— Como vai, Kenneth? — Roarke colocou as mãos para trás. — De volta em casa.

— Sim, — assentiu franzindo as sobrancelhas. — Viu tudo aquilo não foi?

— Oh! Heróico aparecimento, sim. — Sorriu. — Como sempre exibido.

— Não tanto quanto você, gostei da barba. — Rebateu Kenneth. — Seu filho, como está?

— Ah! Ficando esperto — apontou para a cicatriz na testa —, ele me acertou sem querer com um dos brinquedos, mas enfim, eu andei dando umas voltas por aí, Gwen nem pode saber que estou aqui.

— Ela aceitou me ajudar?

— Sim, mas meu pai ainda está atrás de nós. — Explicou. — Soube de uma coisa, vim lhe avisar.

— O que houve? — Kenneth ficou em alerta ao ver que o amigo estava relutante.

— Muriel, parece que está trabalhando para ele. — Respondeu. — Ainda não sabemos como, mas o Revival teve que mudar de lugar novamente, quase fomos pegos. E agora tudo mudou, Gwen e eu temos um filhinho e faremos de tudo para o proteger.

Kenneth ficou sério, olhou para Roarke por uns segundos, mesmo que o bruxo não demonstrasse estar temendo ele sabia que sim, qualquer um estaria.

— Tudo bem, sabe que pode contar comigo, sei que vocês conhecem Muriel melhor do que eu, mas aquela desgraçada tem que pagar pelo que fez comigo.

Roarke soltou uma risada agora e cruzou os braços.

— Ela é toda sua, estamos todos de acordo, o coven não vai a defender, já ia me esquecendo. — Se aproximou. — Você não esteve andando pela Romênia, não é?

— Não, claro não, por quê?

— Um grande massacre vem acontecendo, digo bem sangrento. — Deu de ombros. — De qualquer jeito a culpa caiu para o príncipe de Shadowville que foi preso pelo próprio irmão.

— Roarke, como você sabe disso tudo?

— Já disse, andei por aí. — Suspirou — Preciso ir. Quando eu souber de mais novidades, lhe trago.

E antes que Kenneth pudesse responder ele havia sumido, balançou a cabeça, conhecera Roarke a uns anos, quando ele ainda era um garoto tímido, criado pela igreja, e logo depois se tornou um capitão temido.  

Mas agora, quanto à Muriel...

O que será que ela estava aprontando?

                                    ✧✦🌒✧✦

Ela acordou sentindo a cabeça rodar um pouco, a primeira coisa que pensou era que nunca mais iria beber, sentou-se na cama e foi até o banheiro fez suas necessidades, escovou os dentes e olhou para o seu reflexo, ela estava com a mesma roupa de ontem.

O que acontecera mesmo?

Lembrou-se de ter bebido na taverna, forçou sua mente um pouco mais, seus olhos se arregalaram em puro espanto, os homens na floresta que com certeza não tinha boas intenções.

— Oh! Minha Nossa! — Exclamou eufórica.

Ela tinha o visto, o seu estranho mascarado realmente existia, que vexame, desmaiou na frente dele. Havia começado bem, para não dizer ao contrário, anos esperando por aquilo mil perguntas para fazer e resolveu escolher desmaiar na frente dele.

Mas como será que ela parou ali?

Ele a trouxe até em casa?

Precisava encontrá-lo de novo.

Tomou um banho rápido, colocou outro vestido e desceu, seus pais não estavam em casa. Quando saiu de casa e foi para o pátio da aldeia, encontrou todo mundo em total euforia. O que era bem estranho — já que nada acontecia naquele lugar. Nem mesmo os lobos queriam aquela vila.

Afinal de contas, por que será que todos estavam daquele jeito?

Encontrou os seus amigos conversando animadamente e se aproximou deles.

— Belo vestido. — Observou Zyner com um sorriso sedutor.

— Para de graça menino. — Riu — O que está acontecendo aqui?

— Ah! Não vai acreditar. — Brice sorriu — Um duque está vindo para cá e a vila quer o receber da melhor maneira possível.

— Duque? — Mia franziu as sobrancelhas em desgostos, odiava esses nobres quando apareciam na aldeia, eram chatos demais e costumam ser velhos asquerosos. — O que será que ele quer por aqui?

— É um Duque Mia. Ouvimos dizer que ele está à procura de uma esposa. — Comentou Arthur —, metade das mulheres dessa aldeia vai se atirar contra ele.

— Alguém sabe o nome dele?

— Não, por enquanto não. Mas vamos ver o que vai dar. — Brice respondeu. — Ele logo estará por aqui.

Mia assentiu e continuou observando a cidade, pela primeira vez ela se sentia estranhamente ansiosa para saber o que aquilo iria dar e ainda mais ansiosa em saber que o mascarado estaria por ali também.

Mal podia esperar para ter outro encontro com o mascarado, e dessa vez, queria saber tudo sobre ele.

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