93. Promessas que Não Tremem
Eu ainda estava sentada no sofá, com a sobremesa apoiada no colo, quando percebi que o silêncio entre nós havia mudado de densidade. Não era incômodo. Era aquele tipo de silêncio que surge quando os pensamentos começam a pedir espaço, quando aquilo que não foi dito começa a pesar mais do que o que já foi.
Kairos estava à minha frente, recostado com naturalidade, o corpo relaxado, mas o olhar atento. Ele me observava como se soubesse que, mais cedo ou mais tarde, eu abriria aquela porta. E eu sabia que ele não me apressaria.
Levei mais um pedaço de chocolate à boca, sentindo o sabor intenso se espalhar lentamente, tentando adiar o inevitável apenas por alguns segundos.
— Kairos… — chamei, por fim.
— Hm? — respondeu, sem desviar o olhar.
— Como você acha que isso tudo vai acabar? — perguntei. — Essa história com a Victoria.
Ele se moveu devagar, apoiando os cotovelos nos joelhos, inclinando-se levemente na minha direção. A expressão dele não mudou — não houve surpresa, nem d