69. Alívio e dor
O silêncio dentro do carro era tão espesso que parecia me sufocar. O som do motor, o leve barulho dos pneus contra o asfalto, o piscar ritmado do semáforo — tudo parecia distante, como se eu estivesse presa em um sonho do qual não conseguia acordar. Eu olhava pela janela, as luzes da cidade desfilando em borrões amarelados, e por um momento desejei desaparecer nelas.
Kairos dirigia com o maxilar travado, os dedos firmes no volante. Nenhuma palavra. Nenhum olhar. Apenas aquele silêncio cortante