102. Camadas que Nascem
Voltei para o apartamento já era noite, trazendo comigo o cheiro do café, o gosto ácido da torta de limão e uma inquietação que eu ainda não sabia nomear direito. O apartamento de Kairos estava silencioso, excessivamente organizado, como se até os móveis respeitassem a presença dele mesmo quando ele não estava ali. Tirei os sapatos, deixei a bolsa sobre o aparador e caminhei lentamente até a sala, sentando-me no sofá com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse bagunçar algo dentro de