Capítulo 4
Lavínia foi tomada pelo pavor.

— Não!

Ela ainda tentou empurrar com as mãos, mas Diego se lançou sobre ela e a segurou com força.

— Pai, anda logo!

Diego tinha apenas seis anos, mas foi o suficiente para impedir Lavínia de se mexer.

Aquela taça de vinho desceu de uma vez pela garganta.

O álcool foi como um incêndio, ateando fogo ao estômago de Lavínia.

Ela caiu de joelhos no chão, com ânsias incessantes.

Até Diego se assustou.

Raíssa, porém, reprimiu o brilho de satisfação nos olhos e disse, com ar de vítima:

— Pedro, o que houve com a Lavínia? Quem não souber até vai achar que quem tem câncer é ela...

Essa frase apagou por completo qualquer compaixão no olhar de Pedro.

— Lavínia, é uma pena que a indústria do entretenimento não tenha te contratado. Sua atuação é impecável.

Diego também reagiu:

— Mamãe, você está fingindo de novo. A vovó disse que você gostava muito de beber antes!

— Lavínia, você vivia em eventos bebendo até vomitar. Agora parece que uma taça de vinho vai te matar?

As lágrimas de Lavínia escorreram; um gosto metálico de sangue subiu pela garganta, e ela não conseguiu dizer uma única palavra.

Nesse momento, Raíssa segurou o estômago, dizendo que sentia muita dor.

Pai e filho entraram em pânico imediatamente, sem se importar mais com a existência de Lavínia.

— Raíssa, aguenta firme! Eu te levo para o hospital!

— Raíssa, não pode acontecer nada com você! Eu não consigo viver sem você!

As vozes deles foram ficando cada vez mais distantes, enquanto a dor de Lavínia só aumentava. Antes de perder a consciência, ela vomitou uma grande quantidade de sangue, assustando os homens dentro do camarote.

— O que está acontecendo?

A voz de um deles tremia.

— Maldita Raíssa! Disse que era brincadeira, isso não vai acabar matando essa mulher, vai?

— Isso não tem nada a ver comigo! Eu não fiz nada!

— Vamos embora, rápido!

As pessoas no camarote se dispersaram às pressas.

Lavínia tremia por inteiro e acabou rindo em meio às lágrimas.

Essa era a Raíssa que Pedro e Diego amavam.

A Raíssa que eles amavam.

Ela só esperava que, quando a verdade viesse à tona, eles não se arrependessem!

......

Quando acordou novamente, Lavínia estava deitada em um hospital.

Não havia ninguém ao seu lado; ao perguntar à enfermeira, soube que havia sido levada para lá depois de desmaiar de dor.

O médico fez o exame em silêncio e, com voz ríspida, disparou:

— Nesse estado e ainda vai beber álcool? Você enlouqueceu ou não quer mais viver?

Lavínia sorriu de leve.

Ela não quis beber.

Foram o marido e o filho que a obrigaram a engolir aquela taça inteira.

Ela queria viver mais; eles, porém, queriam que ela morresse.

O médico suspirou.

— Enfim, tenha noção. Se quiser sofrer menos, álcool é algo que você não pode mais nem tocar.

Depois que o médico saiu, Lavínia decidiu providenciar a alta.

Não queria passar o resto dos seus dias dentro de um hospital.

Ao sair do quarto, ouviu pacientes conversando entre si.

— A mulher do quarto 6 é realmente de dar inveja. Marido e filho cuidam dela o tempo todo, não se afastam nem por um minuto, tratam como se fosse de porcelana.

— Mesma gente, destinos diferentes. Ela tem sorte, arrumou um bom marido. Disse que queria comer bolo de fubá, e todas as confeitarias da cidade mandaram bolo de fubá. Aposto que, se ela pedisse uma estrela do céu, pai e filho iriam buscar também.

— Para, eles estão saindo.

Entre empurrões e cochichos, Lavínia ergueu a cabeça, ainda meio atordoada, e viu Pedro e Diego saindo de um quarto.

Quando a viram, as pupilas dos dois se contraíram de repente.

— Mamãe?

— Lavínia?

Pedro olhou para o uniforme hospitalar que ela vestia, atônito.

— Por que você está na ala de oncologia?

Diego também entrou em pânico; quem ficava ali era porque tinha um problema sério de saúde.

Nesse momento, Raíssa também saiu do quarto.

— Pedro, Diego, por que vocês estão parados aí?

Ela segurou o braço de Pedro, mas, ao ver Lavínia, o corpo inteiro ficou rígido.

Pedro afastou a mão dela, visivelmente tenso, e deu alguns passos à frente, encarando Lavínia.

— Me diga, por que você está aqui?

Diego também correu até ela.

— É isso, você está doente?

Raíssa apertou os lábios, com o olhar tomado pelo pânico.

Lavínia sorriu.

Então Raíssa também sabia o que era sentir medo.
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