Lavínia foi tomada pelo pavor.
— Não!
Ela ainda tentou empurrar com as mãos, mas Diego se lançou sobre ela e a segurou com força.
— Pai, anda logo!
Diego tinha apenas seis anos, mas foi o suficiente para impedir Lavínia de se mexer.
Aquela taça de vinho desceu de uma vez pela garganta.
O álcool foi como um incêndio, ateando fogo ao estômago de Lavínia.
Ela caiu de joelhos no chão, com ânsias incessantes.
Até Diego se assustou.
Raíssa, porém, reprimiu o brilho de satisfação nos olhos e disse, com ar de vítima:
— Pedro, o que houve com a Lavínia? Quem não souber até vai achar que quem tem câncer é ela...
Essa frase apagou por completo qualquer compaixão no olhar de Pedro.
— Lavínia, é uma pena que a indústria do entretenimento não tenha te contratado. Sua atuação é impecável.
Diego também reagiu:
— Mamãe, você está fingindo de novo. A vovó disse que você gostava muito de beber antes!
— Lavínia, você vivia em eventos bebendo até vomitar. Agora parece que uma taça de vinho vai te matar?
As lágrimas de Lavínia escorreram; um gosto metálico de sangue subiu pela garganta, e ela não conseguiu dizer uma única palavra.
Nesse momento, Raíssa segurou o estômago, dizendo que sentia muita dor.
Pai e filho entraram em pânico imediatamente, sem se importar mais com a existência de Lavínia.
— Raíssa, aguenta firme! Eu te levo para o hospital!
— Raíssa, não pode acontecer nada com você! Eu não consigo viver sem você!
As vozes deles foram ficando cada vez mais distantes, enquanto a dor de Lavínia só aumentava. Antes de perder a consciência, ela vomitou uma grande quantidade de sangue, assustando os homens dentro do camarote.
— O que está acontecendo?
A voz de um deles tremia.
— Maldita Raíssa! Disse que era brincadeira, isso não vai acabar matando essa mulher, vai?
— Isso não tem nada a ver comigo! Eu não fiz nada!
— Vamos embora, rápido!
As pessoas no camarote se dispersaram às pressas.
Lavínia tremia por inteiro e acabou rindo em meio às lágrimas.
Essa era a Raíssa que Pedro e Diego amavam.
A Raíssa que eles amavam.
Ela só esperava que, quando a verdade viesse à tona, eles não se arrependessem!
......
Quando acordou novamente, Lavínia estava deitada em um hospital.
Não havia ninguém ao seu lado; ao perguntar à enfermeira, soube que havia sido levada para lá depois de desmaiar de dor.
O médico fez o exame em silêncio e, com voz ríspida, disparou:
— Nesse estado e ainda vai beber álcool? Você enlouqueceu ou não quer mais viver?
Lavínia sorriu de leve.
Ela não quis beber.
Foram o marido e o filho que a obrigaram a engolir aquela taça inteira.
Ela queria viver mais; eles, porém, queriam que ela morresse.
O médico suspirou.
— Enfim, tenha noção. Se quiser sofrer menos, álcool é algo que você não pode mais nem tocar.
Depois que o médico saiu, Lavínia decidiu providenciar a alta.
Não queria passar o resto dos seus dias dentro de um hospital.
Ao sair do quarto, ouviu pacientes conversando entre si.
— A mulher do quarto 6 é realmente de dar inveja. Marido e filho cuidam dela o tempo todo, não se afastam nem por um minuto, tratam como se fosse de porcelana.
— Mesma gente, destinos diferentes. Ela tem sorte, arrumou um bom marido. Disse que queria comer bolo de fubá, e todas as confeitarias da cidade mandaram bolo de fubá. Aposto que, se ela pedisse uma estrela do céu, pai e filho iriam buscar também.
— Para, eles estão saindo.
Entre empurrões e cochichos, Lavínia ergueu a cabeça, ainda meio atordoada, e viu Pedro e Diego saindo de um quarto.
Quando a viram, as pupilas dos dois se contraíram de repente.
— Mamãe?
— Lavínia?
Pedro olhou para o uniforme hospitalar que ela vestia, atônito.
— Por que você está na ala de oncologia?
Diego também entrou em pânico; quem ficava ali era porque tinha um problema sério de saúde.
Nesse momento, Raíssa também saiu do quarto.
— Pedro, Diego, por que vocês estão parados aí?
Ela segurou o braço de Pedro, mas, ao ver Lavínia, o corpo inteiro ficou rígido.
Pedro afastou a mão dela, visivelmente tenso, e deu alguns passos à frente, encarando Lavínia.
— Me diga, por que você está aqui?
Diego também correu até ela.
— É isso, você está doente?
Raíssa apertou os lábios, com o olhar tomado pelo pânico.
Lavínia sorriu.
Então Raíssa também sabia o que era sentir medo.