Angélique Mayers
O vapor do banheiro ainda pairava no ar, denso e sufocante, exatamente como a pressão no meu peito. Eu andava de um lado para o outro sobre o piso frio, a água escorrendo pelo corpo, mas a minha mente estava a quilômetros dali, revirando memórias que agora tinham um sabor amargo.
Quanta coisa eu perdi?
— Idiota! — sibilei para o espelho embaçado. — Como eu pude ser tão cega?
É claro que eu sentia que algo estava errado na época. Os garotos que sumiam, os encontros que nunca ac