Aubrey Marck
Acordei devagar, como se estivesse voltando de um lugar muito distante.
Tudo parecia pesado. Meus olhos ardiam, minha cabeça latejava, e havia um zumbido constante nos meus ouvidos, como se o mundo estivesse tentando entrar em foco, mas não conseguisse. Pisquei algumas vezes até reconhecer o ambiente ao meu redor.
Hospital.
O cheiro forte de antisséptico, as paredes claras demais, o bip baixo e insistente de algum aparelho próximo. Suspirei fundo e senti a garganta arder, seca como se eu não bebesse água há dias.
Virei o rosto com dificuldade e foi então que a vi.
Naomi dormia toda torta na poltrona ao lado da cama. As pernas dobradas de um jeito estranho, a cabeça caída para o lado, o cabelo preso de qualquer forma. Ela parecia exausta, como alguém que passou a noite inteira em alerta, sem realmente descansar.
Meu peito apertou.
— Naomi… — chamei, a voz saiu rouca, quase um sussurro.
A dor na garganta foi imediata, como se eu tivesse engolido areia.
Ela acordou em um pul