Mundo de ficçãoIniciar sessãoCharles espera por Gabriela; ele olha o relógio e sabe que está na hora de costume em que ela chega da faculdade. Ele mal pode esperar para ver a sua filhinha, mas as horas se apressam e já fica tarde, mais tarde do que de costume. Passam das oito horas da noite, e nada, nenhum sinal, tampouco um recado de Gabriela informando do seu atraso. Charles anda de um lado a outro da sala; ele sabe que a sua filha jamais chegaria tão tarde sem aviso. Ela sabe que o pai tem problemas cardíacos e não pode passar por emoções fortes, então, sem paciência de esperar mais, ele pega o telefone e liga para Lucian, que atende prontamente ao ver o nome de Charles no seu telefone.
- Oi, Charles, o que houve? Aconteceu algo?
Charles está nervoso e com voz trêmula, gaguejando. Ele tenta falar, nervoso, mas consegue enfim juntar as sílabas e formar palavras para falar com Lucian.
- Lucian, por favor, diz que a minha filha está com você!
Lucian não entende o motivo da ligação, já que Gabriela já deveria ter chegado em casa. Ele pede para que Charles se acalme e fale o que acontece; assim, ele poderá ajudar.
- Lucian, Gabriela não apareceu e estou preocupado; ela nunca faz isso, sempre avisa onde está e o horário que vai chegar. Não sei o que acontece com ela, mas você pode dizer onde ela está? Ela estava com você, não estava?
Lucian não sabe onde ela está; ele verdadeiramente não sabe onde está a sua melhor amiga, pois a deixou esperando e saiu sozinho. Ele não ligou, não esperou e agora sente a culpa bater em sua porta, já que ela não apareceu.
- Charles, eu não sei onde ela está, mas vou agora procurá-la; não descanso até encontrá-la!
Logo após Lucian desligar o telefone, Charles, completamente nervoso, liga novamente para o telefone da sua filha, com a esperança de que ela atenda e acabe com o seu desespero. O seu semblante não é nada confortante; ele está com as sobrancelhas franzidas e as mãos trêmulas, mas, ainda assim, ele consegue ligar e nada acontece, nenhum sinal de que Gabriela vá enfim atender, e ele deixa vários recados. Sem descanso, ele continua; em uma dessas tentativas e já exausto, ele senta em sua poltrona, mas acaba por adormecer.
Parece que foram horas, mas, em apenas alguns minutos depois que adormece, Charles acorda com o som das chaves na fechadura da porta, o que parece ser uma invasão mal-sucedida, pois quem abre parece tremer, ou não sabe qual chave é a da porta, ou está bastante nervoso, até mesmo bêbado, e logo ele escuta uma voz, vinda do corredor, uma voz pedindo ajuda.
- Por favor, ajuda! Alguém, a moça não está bem e precisa de médico; ela não parece ferida!
Charles corre para a porta e o pavor no seu rosto é indescritível; ele não imagina a situação que está prestes a passar. Correndo em direção à porta, ele se depara com um rapaz. Ele não lhe é familiar, é um desconhecido, mas carrega algo que lhe pertence: sua querida filha Gabriela. Ao que parece, ela está desmaiada e com muito sangue em suas roupas.
- Filha! O que aconteceu a ela? Quem é você e como sabe o nosso endereço?
Pergunta Charles ao rapaz que trouxera a sua filha nos braços. Ele está desconfiado e com muito medo, mas o rapaz gentilmente o conforta quando enfim lhe pede licença para entrar e pôr a sua filha cômoda no sofá da sala.
- Senhor, por favor, deixe-me colocá-la cômoda. Ela está desacordada agora, mas precisa recostar-se e de atendimentos médicos!
Charles ouve o rapaz e permite a sua entrada. Ele dá-lhe espaço para recostar Gabriela no sofá, mesmo desconfiado de que o mesmo rapaz seja o agressor da sua filha. Sendo assim, o rapaz a coloca deitada e fica de pé, parado em frente ao seu pai, desconfiado e temeroso. Ele explica o que aconteceu e como encontrou a sua filha naquelas condições.
- Senhor, o meu nome é Paulo e eu encontrei a sua filha numa pequena viela perto do restaurante chinês. Ela estava desmaiada, não respondia e estava suja de sangue já quando a encontrei. Não sei o que lhe passou, mas tentei chamá-la; ela apenas me disse onde morava, logo apagou e não recobrou a consciência.
Charles olha para aquele homem gigante e não sabe se acredita nele ou não; resta apenas esperar que Gabriela acorde e diga o que aconteceu a ela.
- Então você não sabe o que lhe passou? Não viu nenhum suspeito no local?
Indagou Charles ao tentar arrancar qualquer tipo de informação que ele achava que o rapaz poderia esconder, mas Paulo realmente não sabia o que havia passado e tampouco quem era a moça que ele resgatara daquela viela. Ele conta que, quando a encontrou, ela estava recostada em uma parede, ao lado de um grande coletor de lixo, que era perto do apartamento, e que pôde pedir-lhe a informação de onde ela morava. Ela, mesmo com tão pouca consciência, ainda conseguiu dizer-lhe onde morava e com quem.
- Senhor, ela apenas alcançou dizer que morava com o pai, no prédio ao lado da viela. Eu ainda liguei para a emergência, mas a sua filha pedia tanto para trazê-la para perto do pai. Eu não consegui fazê-la esperar a ambulância e acredito que ela esteja com febre, pois delirava dizendo que alguém a havia mordido, mas eu não vi nada e, para ser sincero, nem sei de onde vem tanto sangue; não me parece ser dela!
Charles olha atentamente para Gabriela; ele procura ver algo de errado, mas, é como o rapaz lhe diz, não há sinal de que a menina esteja machucada, ou até que esteja traumatizada. Ele pensa que ela apenas pode estar cansada, pode ter feito aula de biologia e ter se sujado com o sangue de algum animal, pode ser que o cansaço a tenha feito desmaiar. Ele nem sabe ao certo o que pensar, mas está um pouco mais tranquilo. O rapaz deixa o seu contato de telefone, para que ele ligue se precisar. Ele o agradece e pega o papel com o número de Paulo, que segue para a porta e se despede. Charles o vê seguindo para o fim do corredor, assim desaparecendo elevador abaixo. Aliviado, fecha a porta atrás de si, ele volta para a sala e cobre a sua menina. Ele senta na poltrona reclinável e acaba adormecendo.
A noite passa muito rápido; o relógio desperta para avisar que já passam da meia-noite. O som acorda Gabriela, que, no susto, dá um salto longitudinal. Ela acaba parando em frente ao seu pai; quase ela termina por atacá-lo, por certo pensando que poderia ser um sequestrador. Ela franze a testa, passando as mãos pelos cabelos; os seus olhos arregalados e de pupilas dilatadas denunciam a sua provável subida de adrenalina, ou ela deve ter sido muito drogada, pois não se lembra do que aconteceu, ou não sabe ao certo.
- Oh, pelos céus, não sei o que aconteceu! Como cheguei aqui?
Ela se questiona, andando pela sala em desespero, logo segue para o banheiro para tomar um banho. Ela para em frente ao espelho e, olhando-se, procura algo que denuncie o que lhe passou, mas não vê nada. Ela apenas se sente incrivelmente bem. Logo após tirar as roupas sujas de sangue, ela entra no box, liga o chuveiro, o mais quente possível. Não entende o porquê, mas aquela água para ela está perfeita, o que para outra pessoa poderia causar queimaduras graves.
Enquanto o seu banho é bem aproveitado, ela se distrai com um barulho que parece de uma estante virando e causando um estrondo gigantesco. Ela desliga o chuveiro e sai do box, se enrola na toalha, segue para ver onde é o barulho, logo percebe que vem do apartamento ao lado. Ela para e pensa que poderia ser um pessoal muito bagunceiro, pois os barulhos de coisas pesadas e vozes são altos e claros. Ela então sai do banheiro e vai direto para a porta de entrada; ela só quer que o barulho pare. Saindo do seu apartamento, ela vai direto para o apartamento ao lado do seu e b**e com fúria e muita força nos seus punhos. Ao abrirem a porta do apartamento, uma bela moça sai de lá. Ela observa atentamente Gabriela com a sua toalha enrolada no corpo; Gabi também lhe devolve o olhar.
- Olá, boa noite. Em que posso ajudá-la?
Diz a moça a ela em cumprimento, mas o sentimento de que algo não está certo estampa em seu rosto.
- Boa noite!
Diz Gabriela em tom de irritação, mas com educação.
- Com que direito vocês fazem todo esse barulho, uma hora dessas? Não sabem que há pessoas dormindo a essas horas?
A moça não responde, ela apenas sorri e não se move da porta, apenas recosta no batente, mas Gabriela está verdadeiramente furiosa!







