Confusão e desaparecidos.

Gabriela está nervosa pelo barulho e a vizinha recostada no batente da porta sorri, ela observa como a moça é bonita e nova, sua expressão de nervosa com cabelos molhados e enrolada naquela toalha, dá-lhe uma visão de filme, uma cena romântica francesa e ela gosta. Gabriela pergunta do que ela ri, mas, a moça não fala nada e apenas pergunta o que ela deseja saber.

- Desejo que façam menos barulho moça, por favor, meu pai e os demais vizinhos dormem essa hora, eles trabalham sabia?

 

A moça encara Gabriela e percebe que ela parece atordoada e não consegue se expressar muito bem, mas, a vizinha vê que ela não está no seu normal, por algum motivo que ela não sabe, assim que a moça apenas toma uma atitude gentil e convida Gabriela para entrar e tomar uma água. Gabriela está atordoada, por um momento cambaleia na porta encostando no batente para não cair, a vizinha por sua vez a segura pelo braço e a leva para dentro do seu apartamento.

 

Ao passar pela entrada, Gabriela vê muitas caixas e percebe não haver muitos móveis, há também um rapaz que ela vê apenas de relance, não consegue ver o seu rosto, mesmo assim continua a seguir a moça, segurando em sua mão, até sentar-se numa cadeira oferecida por ela, que coloca em frente a Gabriela um copo grande com água, a moça se explica.

- Estamos de mudança, provavelmente por isso você possa ter ouvido alguns barulhos, mas, não acredito que tenha sido muito alto, pois nem móveis temos, pois ainda não chegaram, acho que o seu sono estava afetado por outro motivo!

 

Explica a moça em tentativa de desculpar-se com ela, que a olha com uma cara confusa.

- Beba a água, asseguro que se sentirá melhor pela manhã!

A moça afirma para Gabriela, que de um gole grande, ingere grande parte da água, mas, percebe que o gosto está estranho.

- O que colocou na água? Está com gosto estranho!

Afirma Gabriela olhando curiosa para a moça a sua frente, a vizinha olha para ela com uma expressão tranquila, assim começa a falar.

- Bom, coloquei umas gotas do meu calmante, te ajudará a descansar! Eu não sei o que lhe passou, mas, espero que fique bem pela manhã.

Os olhos de Gabriela estão bastante pesados e ela não percebe que está quase adormecendo.

- É ela, e acho que está pronta, mas, algo saiu errado!

Gabriela alcança apenas ouvir essas palavras antes de apagar de vez. Já passam das 8h30 da manhã, quando Charles acorda na poltrona, ele apenas lembra de deitar-se após um rapaz trazer Gabriela, como ela estava desmaiada, adormecida, ele não quis acordá-la, achou melhor fazê-lo pela manhã, pois assim poderia conversar melhor e observar a sua filha com mais clareza. Ele olha para o sofá e não a vê deitada, se desespera e pensa que fora um sonho e Gabriela continua, desaparecida, ele procura em seu quarto, na cozinha e por fim, vai ao quarto de Gabriela, quer ter certeza que ela está deitada na cama. Ao se aproximar da porta, ele toca levemente para não assustá-la, mas, não há resposta, então ele gira vagarosamente a maçaneta da porta, franzindo a testa com medo do que possa haver passado durante a noite, pois ele a havia deixado na sala e ao acordar ela não estava mais lá.

- Gabi? Está acordada?

Ele pergunta sussurrando e abrindo lentamente a porta, mas, é interrompido pela campainha que soa com pressa, ele não sabe quem pode ser esta hora da manhã, então, vai atender a visita matutina, deixando a porta do quarto de Gabriela entreaberta. Ao abrir a porta da sala, ele encontra Lucian, parado ali e recostado na parede, esperando que ele o convide para entrar.

- Bom dia, Lucian! Por aqui tão cedo? Vem, entra! Vamos tomar um café.

Lucian o olha atentamente, com olhar confuso, ele resolve perguntar por sua melhor amiga, que ele não teve notícias desde a noite.

- Charles, vejo que está tranquilo, Gabriela apareceu? Procurei por ela como disse, quase surtei de preocupação.

Diz o rapaz, com expressão de medo e alívio, pois espera por notícias boas.

- Sim, Lucian, ela apareceu, mas, estava desacordada, um rapaz a encontrou na viela em frente ao restaurante chinês, disse que ela estava desmaiada e suja de sangue, que parecia machucada.

Conta-lhe Charles, entrando nos detalhes que o rapaz havia-lhe dito anteriormente.

- Como assim suja de sangue? Mas, ela está bem? O senhor chamou a polícia?

Pergunta Lucian extremamente preocupado com o que houve do pai de Gabriela.

- Não, resolvi esperar que ela acordasse, preciso saber o que passou com ela primeiro.

Charles aclara que não pode fazer nada sem as declarações de Gabriela, pois não sabe se ela foi realmente atacada ou...

- Não! O senhor não pode deixar isso assim, e se o rapaz que a trouxe for o mesmo que a machucou?

Lucian está visivelmente transtornado, ele nem espera a que Charles termine de explicar o que sucedeu à noite.

- Lucian, você não entendeu, ela não está ferida! Não sei o que pode ter acontecido, mas, não há evidências de que ela tenha sido atacada!

Lucian o olha com uma expressão confusa e intrigado, sem saber o que lhe dizer agora. Ele apenas espera que Charles continue a contar o que aconteceu, ele finalmente se cala.

- Como poderia chamar a polícia se ela não tem nenhum arranhão? Dói-me pensar nisso, mas, eu acho que a minha filha machucou alguém! Não de propósito, mas, para se defender!

Lucian continua confuso, Gabi seria incapaz de algo assim. Ela é uma menina muito meiga e doce, não faria maldade nem a uma mosca, que dirá a uma pessoa! Ele não consegue acreditar que Charles esteja pense isso da sua própria filha, quando pensa em rebater, uma voz soa no corredor dos quartos.

- Pai? Bom dia, o que tem para o café? Estou morta de fome.

Gabriela os interrompe no meio de uma discussão, ela está de pé, parada no corredor observando os dois conversando de longe!

- Filha, bom dia! Como passou a noite? Eu estava preocupado, demorou a chegar, não me avisou e um rapaz te trouxe desmaiada!

Diz Charles, olhando para a sua filha e tentando ver se há algo errado no seu comportamento, mas, surpreendentemente, ela parece estar muito bem.

- Pai, depois conversamos, não me lembro de nada que aconteceu ontem e que cheiro enjoativo é esse?

Ela pergunta e Charles estranha, ele não sente cheiro de nada esquisito no ar.

- Filha, um rapaz te trouxe aqui ontem a noite, não lembra? Ele disse que você mesma deu o endereço de casa. Pediu-lhe para trazê-la!

Ela faz uma careta, como se tentasse lembrar o que passou, mas, no mesmo momento, ela corre para o banheiro, enjoada e se põe a vomitar. Charles e Lucian vão de encontro a ela, preocupados eles param em frente ao banheiro, esperando a que ela se recomponha.

- Filha, o que houve, você está bem?

Pergunta o seu pai angustiado com a situação da sua filha, ele não imagina pelo que ela passa agora, mas, sabe que boa coisa não é, afinal, até mesmo mal-estares ela tem. Ele quer perguntar, mas, prefere esperar que a mesma resolva contar o que passou para poder ajudá-la a resolver o problema. Assim que Gabriela para de vomitar, ela volta-se para o pai e pede desculpas, em seguida de um desmaio repentino e assustador os pega de surpresa. Charles corre para pegar a sua filha, mas, Lucian é muito mais rápido, ele pega-a no colo e leva para a cama, evitando assim que ela batesse a cabeça na pia do banheiro, recostando-a em segurança até que ela recobre a consciência e deste momento em diante, nem mesmo ele a deixa só.

- Charles, ficarei aqui, caso o senhor precise de ajuda com ela.

Ele consente com a cabeça, a sua expressão é de sofrimento e preocupação com a sua filha, ele não sabe o que fará a partir dali, indo para a sala, Charles pergunta se ele não tem aula, pois se tiver, pode ir que ele cuidará de sua filha.

- Lucian, você não tem aula hoje?

Pergunta Charles preocupado em atrapalhar o futuro do rapaz.

- Não, por algum motivo que ainda não sabemos, as aulas foram suspensas por todo o fim de semana.

Explica o rapaz a Charles, que indaga uma pergunta.

- Nossa, mas, não informaram nada para vocês?

Charles agora está mais preocupado ainda com o que possa acontecer mais adiante, ou que esteja a acontecer neste exato momento.

- Não explicaram, mas, eu ouvi uma conversa entre o diretor e a secretária, parece que houve mais um ataque, assim como o que Gabriela sofreu.

Charles arregala os seus olhos em sinal se surpresa, uma surpresa nada boa, ele não vai mesmo gostar do que está prestes a ouvir.

- O único problema, Charles, é que a garota não teve a mesma sorte de Gabriela!

Sabendo disso agora, Charles está mais aflito que nunca, ele agora teme que quem atacou a sua filha possa retornar e fazê-lo novamente, assim talvez, dessa vez consiga o que não teve antes. O que não se explica com o que aconteceu são os enjoos, Charles suspeita que ele possa estar grávida e solta esta preocupação para Lucian.

- Lucian, fiquei preocupado com esse enjoo repentino de Gabriela, será que fora abusada? Será que está grávida?

Lucian não havia pensado nisso, ele diz que pode ser uma possibilidade, mas, teria que ser muito antes para ela poder apresentar sinal de gravidez, o que não é o caso, ele explica para Charles e outra pergunta é lançada.

- Lucian, Gabriela tem namorado? Ela não me conta mais nada e você é o seu melhor amigo, então...

Lucian arregala os olhos, ele balança as mãos em negativa e treme ao responder essa pergunta.

- Senhor, não, ela não tem namorado e... eu não sou nada dela, só amigos e se fosse, o senhor seria o primeiro a saber!

Após esta conversa estranha e sem cabimento, horas se passam e Gabriela acorda no exato momento em que ouve a história que Lucian contou, ela senta na cama e ouve do quarto, pois deixaram a porta aberta, ela levanta e vai até a sala, ainda um pouco mareada e olha para ele, sem saber o que dizer, apenas olhando atentamente nos seus olhos claros como a luz do dia. Lucian sorri-lhe, ele levanta e segue até ela, segura a sua mão e ela permite, pedindo-lhe desculpas pelo que aconteceu entre eles no dia anterior, mas, Gabriela diz que não tem problema, ela o perdoa e quer saber a respeito das aulas, e quem desapareceu.

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