Mundo de ficçãoIniciar sessãoGabriela está nervosa pelo barulho e a vizinha, recostada no batente da porta, sorri. Ela observa como a moça é bonita e nova; sua expressão de nervosa, com cabelos molhados e enrolada naquela toalha, dá-lhe uma visão de filme, uma cena romântica francesa, e ela gosta. Gabriela pergunta do que ela ri, mas a moça não fala nada e apenas pergunta o que ela deseja saber.
- Beba a água, asseguro que se sentirá melhor pela manhã!
- Bom, coloquei umas gotas do meu calmante, te ajudará a descansar! Eu não sei o que lhe passou, mas espero que fique bem pela manhã.
Os olhos de Gabriela estão bastante pesados e ela não percebe que está quase adormecendo.
- É ela, e acho que está pronta, mas algo saiu errado!
- Gabi? Está acordada?
Ele pergunta sussurrando e abrindo lentamente a porta, mas é interrompido pela campainha que soa com pressa. Ele não sabe quem pode ser a esta hora da manhã, então vai atender a visita matutina, deixando a porta do quarto de Gabriela entreaberta. Ao abrir a porta da sala, ele encontra Lucian, parado ali e recostado na parede, esperando que ele o convide para entrar.
- Bom dia, Lucian! Por aqui tão cedo? Vem, entra! Vamos tomar um café.
Lucian o olha atentamente, com olhar confuso. Ele resolve perguntar por sua melhor amiga, de quem ele não teve notícias desde a noite.
- Charles, vejo que está tranquilo. Gabriela apareceu? Procurei por ela, como disse, quase surtei de preocupação.
Diz o rapaz, com expressão de medo e alívio, pois espera por notícias boas.
- Sim, Lucian, ela apareceu, mas estava desacordada. Um rapaz a encontrou na viela em frente ao restaurante chinês, disse que ela estava desmaiada e suja de sangue, que parecia machucada.
Conta-lhe Charles, entrando nos detalhes que o rapaz havia-lhe dito anteriormente.
- Como assim, suja de sangue? Mas, ela está bem? O senhor chamou a polícia?
Pergunta a Lucian, extremamente preocupado com o que houve com o pai de Gabriela.
- Não, resolvi esperar que ela acordasse. Preciso saber o que passou com ela primeiro.
Charles aclara que não pode fazer nada sem as declarações de Gabriela, pois não sabe se ela foi realmente atacada ou...
- Não! O senhor não pode deixar isso assim, e se o rapaz que a trouxe for o mesmo que a machucou?
Lucian está visivelmente transtornado; ele nem espera Charles terminar de explicar o que sucedeu à noite.
- Lucian, você não entendeu, ela não está ferida! Não sei o que pode ter acontecido, mas não há evidências de que ela tenha sido atacada!
Lucian o olha com uma expressão confusa e intrigada, sem saber o que lhe dizer agora. Ele apenas espera que Charles continue a contar o que aconteceu; ele finalmente se cala.
- Como poderia chamar a polícia se ela não tem nenhum arranhão? Dói-me pensar nisso, mas eu acho que a minha filha machucou alguém! Não de propósito, mas para se defender!
Lucian continua confuso; Gabi seria incapaz de algo assim. Ela é uma menina muito meiga e doce, não faria maldade nem a uma mosca, que dirá a uma pessoa! Ele não consegue acreditar que Charles pense isso da sua própria filha. Quando pensa em rebater, uma voz soa no corredor dos quartos.
- Pai? Bom dia, o que tem para o café? Estou morta de fome.
Gabriela os interrompe no meio de uma discussão; ela está de pé, parada no corredor, observando os dois conversando de longe!
- Filha, bom dia! Como passou a noite? Eu estava preocupado, demorou a chegar, não me avisou e um rapaz te trouxe desmaiada!
Diz Charles, olhando para a sua filha e tentando ver se há algo errado no seu comportamento, mas, surpreendentemente, ela parece estar muito bem.
- Pai, depois conversamos. Não me lembro de nada que aconteceu ontem e que cheiro enjoativo é esse?
Ela pergunta e Charles estranha; ele não sente cheiro de nada esquisito no ar.
- Filha, um rapaz te trouxe aqui ontem à noite, não lembra? Ele disse que você mesma deu o endereço de casa. Pediu-lhe para trazê-la!
Ela faz uma careta, como se tentasse lembrar o que passou, mas, no mesmo momento, ela corre para o banheiro, enjoada, e se põe a vomitar. Charles e Lucian vão de encontro a ela. Preocupados, eles param em frente ao banheiro, esperando que ela se recomponha.
- Filha, o que houve? Você está bem?
Pergunta ao seu pai, angustiado com a situação da sua filha. Ele não imagina pelo que ela passa agora, mas sabe que boa coisa não é, afinal, até mesmo mal-estares ela tem. Ele quer perguntar, mas prefere esperar que ela resolva contar o que passou para poder ajudá-la a resolver o problema. Assim que Gabriela para de vomitar, ela volta-se para o pai e pede desculpas; em seguida, um desmaio repentino e assustador os pega de surpresa. Charles corre para pegar a sua filha, mas Lucian é muito mais rápido. Ele pega-a no colo e leva para a cama, evitando assim que ela batesse a cabeça na pia do banheiro, recostando-a em segurança até que ela recobre a consciência e, deste momento em diante, nem mesmo ele a deixa só.
- Charles, ficarei aqui, caso o senhor precise de ajuda com ela.
Ele consente com a cabeça; a sua expressão é de sofrimento e preocupação com a sua filha. Ele não sabe o que fará a partir dali. Indo para a sala, Charles pergunta se ele não tem aula, pois, se tiver, pode ir, que ele cuidará de sua filha.
- Lucian, você não tem aula hoje?
Pergunta Charles, preocupado em atrapalhar o futuro do rapaz.
- Não, por algum motivo que ainda não sabemos, as aulas foram suspensas por todo o fim de semana.
Explica o rapaz a Charles, que indaga uma pergunta.
- Nossa, mas não informaram nada para vocês?
Charles agora está mais preocupado ainda com o que possa acontecer mais adiante, ou que esteja a acontecer neste exato momento.
- Não explicaram, mas eu ouvi uma conversa entre o diretor e a secretária; parece que houve mais um ataque, assim como o que Gabriela sofreu.
Charles arregala os seus olhos em sinal de surpresa, uma surpresa nada boa; ele não vai mesmo gostar do que está prestes a ouvir.
- O único problema, Charles, é que a garota não teve a mesma sorte de Gabriela!
Sabendo disso agora, Charles está mais aflito que nunca; ele agora teme que quem atacou a sua filha possa retornar e fazê-lo novamente, assim, talvez, dessa vez consiga o que não teve antes. O que não se explica com o que aconteceu são os enjoos. Charles suspeita que ele possa estar grávido e solta esta preocupação para Lucian.
- Lucian, fiquei preocupado com esse enjoo repentino de Gabriela. Será que foi abusada? Será que está grávida?
Lucian não havia pensado nisso; ele diz que pode ser uma possibilidade, mas teria que ser muito antes para ela poder apresentar sinal de gravidez, o que não é o caso. Ele explica para Charles e outra pergunta é lançada.
- Lucian, Gabriela tem namorado? Ela não me conta mais nada e você é o seu melhor amigo, então...
Lucian arregala os olhos, ele balança as mãos em negativa e treme ao responder essa pergunta.
- Senhor, não, ela não tem namorado e... eu não sou nada dela, só amigos, e, se fosse, o senhor seria o primeiro a saber!
Após esta conversa estranha e sem cabimento, horas se passam e Gabriela acorda no exato momento em que ouve a história que Lucian contou. Ela senta na cama e ouve do quarto, pois deixaram a porta aberta. Ela levanta e vai até a sala, ainda um pouco mareada, e olha para ele, sem saber o que dizer, apenas olhando atentamente nos seus olhos claros como a luz do dia. Lucian sorri-lhe, ele levanta e segue até ela, segura a sua mão e ela permite, pedindo-lhe desculpas pelo que aconteceu entre eles no dia anterior, mas Gabriela diz que não tem problema, ela o perdoa e quer saber a respeito das aulas e de quem desapareceu.







