Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlex (O Marido)
A vida é uma incógnita, e cada dia é uma surpresa. No meu caso, tudo está sempre igual. Sabe aquela expectativa de algo novo acontecer? Aquilo que você não sabe o que é, mas anseia por isso? Aos 36 anos, eu me sentia velho. Engenheiro sênior, salário bom, casa com piscina nos subúrbios de Chicago, uma esposa linda, inteligente, cuidadosa, trabalhadora. Eu deveria ser feliz, na verdade sou feliz, mas todo dia eu olhava para Sophia e via a mesma expressão cansada que eu via no espelho. Ela provavelmente sentia o mesmo que eu. Doze anos de casamento e eu sentia que estava perdendo minha mulher. Não de forma dramática, Sophia ainda me beijava quando chegava do trabalho, ainda cozinhava meu prato favorito aos domingos, me acompanhava em eventos e sempre cuidava de mim. Mas o sexo… tinha virado obrigação. Uma vez por mês, se eu tivesse sorte. Rotina, trabalho, hipoteca, cachorro, compras, contas… e repetir tudo de novo. Naquela noite, quando ela saiu para a despedida de solteira, eu brinquei: “Divirta-se, mas não faça nada que eu não faria.” Na verdade, eu torcia pra ela se divertir, para voltar com um pouco de vida nos olhos. Então fiquei em casa, bebendo cerveja, assistindo jogo, mexendo nas redes sociais, e quando a porta abriu às duas da manhã e Sophia entrou como um furacão, eu soube que algo tinha mudado. Ela me atacou. Literalmente. Beijos desesperados, mãos puxando minha camisa, corpo colado no meu, como se tivesse passado anos sem tocar. Eu fiquei duro na hora. Transamos como animais, ela por cima, gemendo alto, me arranhando, pedindo mais. Eu gozei em minutos, mas ela continuou, o corpo tremendo até explodir. Foi o melhor sexo em anos, talvez o melhor de todos. Depois veio o choro. Eu abracei ela, esperando seu tempo, e então veio a confissão. Um stripper. Corpo tatuado, cabelo longo, ele dançou só pra ela, fez um convite para uma casa de swing. Ela admitiu que sentiu desejo, que gostou, que o tesão que trouxe pra casa era dele. Doeu. Claro que doeu, meu estômago apertou, mas junto com a dor veio algo inesperado: excitação. A ideia dela desejando outro homem… não me fez querer matar o cara. Me fez querer ver. Ver até onde isso poderia nos levar. Doze anos de rotina quase nos mataram. Talvez fosse hora de arriscar. Eu segurei o rosto dela. — Vamos aceitar o convite! Sophia piscou, chocada. — Alex… você tem certeza? — Não tenho certeza de nada. Mas prometo: vamos só olhar, ver como funciona, se você quiser ir embora no meio, a gente vai. Se quiser… experimentar… a gente conversa primeiro. Sem pressão. Mas eu vi o fogo nos seus olhos hoje. Eu quero isso de volta. Quero você de volta. Ela chorou mais, mas de alívio. Eu a abracei forte. Por dentro, minha mente girava, eu imaginava ela olhando para outro homem, imaginava talvez… tocar, ver ela sendo tocada, a ideia me deixava duro de novo, mesmo depois de ter gozado. Eu não era ciumento no sentido tradicional, eu era curioso. Queria salvar o casamento, e se uma casa de swing fosse o caminho… que fosse. … No dia seguinte, enquanto ela dormia, eu peguei o cartão na bolsa dela. The Eclipse. Liguei para o número. Uma voz masculina atendeu, grave, confiante. Não perguntei nome, só confirmei que iríamos, comprei dois ingressos. VIP. Desliguei e fiquei olhando para o teto. Meu coração batia forte de medo, tesão, amor. Tudo junto. Eu ia levar minha mulher pra ver outro homem dançar, tocar, talvez mais. E eu ia assistir. Porque se isso reacendesse o que a gente tinha… valia qualquer risco.






